terça-feira, 17 de outubro de 2017

Um breve resumo da teologia da libertação


Trata-se de um tema complexo e que comporta matizes mais sutis do que os que sou capaz de descrever aqui. Porém, penso que, seguindo o discernimento de São João Paulo II, nos atentos documentos de seu pontificado sobre o tema, podemos distinguir dois grupos de correntes do que se chama de teologia da libertação: um não marxista e um marxista.

Tanto numa vertente quanto na outra, a teologia da libertação tem origem na América Latina, a partir de uma realidade muito gritante num continente subdesenvolvido: a gravíssima miséria que flagela boa parte da população, diante da ausência de soluções institucionais para um drama multitudinário. Como Leonardo Boff disse certa vez, a teologia da libertação vem responder à pergunta fundamental “como anunciar o Evangelho a quem está morrendo de fome?”. Uma pessoa que se vê obrigada a dedicar quase todas as suas energias à obtenção do que lhe supre as necessidades corporais mais básicas parece oferecer um desafio quanto ao modo pelo qual a realidade da fé é capaz de introduzir-se e enraizar-se em sua existência.

Atentas a isso, as vertentes não marxistas da teologia da libertação propõem que a solução das gravíssimas questões sociais devem receber uma prioridade pastoral na vida da Igreja. Em regiões pobres, a Teologia deve se voltar, antes de tudo, para a ação política e para os problemas sociais, de modo a, criando-se paulatinamente uma estrutura social impregnada de justiça cristã, fertilizar o terreno para o florescimento da mensagem do Evangelho. Os pobres, tesouro de Cristo, devem estar no centro de nosso tratamento pastoral, e o alívio de suas dores deve ser a fonte da caridade que há de inundar as almas na intimidade com Jesus. Esse primeiro modelo de teologia da libertação não só não foi condenado pela Igreja, como recebeu elogios dos Papas São João Paulo II e Bento XVI, e o Papa Francisco pode ser considerado ele próprio um seu membro.

Uma segunda linha de teólogos crê não ser necessário construir um novo instrumental teórico para expressar a prioridade da questão social uma vez que tal instrumental já se encontra, estruturado de modo científico, no marxismo, bastando purificá-lo de suas rixas com a religião.

Quando se traz o marxismo para as bases da teologia cristã, as relações socioeconômicas passam a constituir o núcleo explicativo de toda a realidade, e todos os dons naturais e sobrenaturais, antes integrados à criação e à revelação, se tornam superestrutura. A prioridade da ação social deixa de ser uma opção pastoral concreta e se transforma numa autêntica inversão da própria doutrina. Encher a barriga dos pobres e lutar pelas políticas que (supostamente) trarão a plena igualdade é aquilo que Jesus quer de nós, e nada mais. As velhas devoções, os ritos, as penitências e a vida contemplativa são herança de um tempo em que a alienação nos cegava para a verdadeira mensagem de Cristo, encarnada na classe social marginalizada ao nosso lado.

A vida de oração perde importância. O tesouro devocional que a Igreja guardou durante milênios é agora uma ninharia sem relevo para a verdadeira fé. Os sacramentos são desprezados. A graça e a amizade com Deus não vêm mais dos sinais divinamente instituídos ou de nossas disposições interiores, mas de nossa dedicação ativa à causa material dos pobres. O cristianismo é um modelo de ação: é preciso ajudar os necessitados. Só isso. Esse é o único imperativo. O Evangelho inteiro está contido aí. A esperança da vida eterna é beatice dos alienados. O novo cristianismo dos teólogos da libertação constitui uma reedição invertida da Torre de Babel, não mais para subir da terra ao Paraíso, mas para fazer o Paraíso descer à terra.

A Sociologia é a nova chave do Novo Testamento. Cristo é um ator social; Sua pobreza é uma classe e não mais uma humilde virtude; Sua morte na Cruz não é um sacrifício salvífico que libertou toda a humanidade do pecado, mas um resultado da opressão e da luta de classes; Sua redenção é para os pobres, para libertá-los do jugo dos ricos e não para todo o orbe, para libertar-nos das trevas de um mundo sem Deus.

A desgraça é evidente. O abandono da oração e dos sacramentos leva à deterioração da vida espiritual. O coração fecha-se a Deus e tenta preencher o vazio com uma atividade incessante, que mantenha a alma distraída e presa à terra. As referências religiosas se tornam mero simbolismo sentimental que serve de motor ao trabalho social. Mundanizada até a religião, a vida materializa-se por completo e se imerge na realização de um programa político, sem qualquer sentido sobrenatural. Cristo é expulso do cristianismo e pode ser substituído por qualquer modelo de ativista. A mensagem levada aos pobres já não é a de Deus – pois não têm Deus para levar – mas simplesmente a da satisfação dos anseios carnais. O que se iniciou com uma avidez legítima de anunciar Deus aos excluídos termina num crime contra Deus e contra os pobres. Quando o veneno do marxismo, que esconde por trás de sua “metodologia científica” o materialismo, o imanentismo e o ateísmo, é injetado na teologia cristã, frauda as verdades da revelação, corrói os fundamentos da graça e destrói a fé.

Por Gustavo França.

Leia seu outro artigo no blog, "Os morticínios liberais e a Igreja perseguida", clicando aqui.

domingo, 15 de outubro de 2017

Seria Jesus “revolucionário”?


Os esquerdistas se valem cinicamente do cristianismo para atender aos seus desejos de poder a qualquer custo, seja para destruir a moral judaico-cristã quando ela não é conveniente (aborto, “casamento” gay etc.), seja para se utilizar da figura de Cristo como bode expiatório da “revolução” que “irá” instaurar a terra sem males (paraíso terrestre ou comunismo). Sabe quando isso ocorrerá nos moldes propugnados? Nunca.

A experiência do comunismo prova sua inépcia no plano material (vide o exemplo da URSS), no final acabam se rendendo à economia de mercado, pois o socialismo por si só não sobrevive, precisa do capital que tanto repudia (Stálin era um capitalista às escondidas).

No plano espiritual, como Jesus mesmo afirmou: os pobres sempre existirão (Jo 12,8). A Terra só será transformada na metahistória (ou seja, ao findar a história, Deus instaurará seu Reino). Por isso, é Reino “dos Céus”, haverá novos céus e novas terras. Mas isso já é teologia demais e de difícil assimilação para essas pessoas com viseira ideológica.

Vamos à sugestão herética:
1) Episódio que é usado para mostrar uma caricatura de Jesus:
“Chegaram a Jerusalém e Jesus entrou no templo. E começou a expulsar os que no templo vendiam e compravam; derrubou as mesas dos trocadores de moedas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não consentia que ninguém transportasse algum objeto pelo templo. E ensinava-lhes nestes termos: ‘Não está porventura escrito: A minha casa chamar-se-á casa de oração para todas as nações’ (Is 56,7)? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)” (Mc 11,15-17).

2) A atitude de Jesus foi um protesto e causou um transtorno grave?
De certo modo, SIM, porém se trata de “descontextualização” e “anacronismo histórico”. Cristo agiu dessa forma para que o povo reconhecesse que iria inaugurar um novo Templo, seu próprio Corpo, que substituiria o antigo (onde os vendilhões ficavam) e que seria destruído como o foi após 70 anos aproximadamente de sua Morte e Ressurreição.

Ora, se Jesus cita Isaías afirmando que a casa d’Ele se transformaria em “casa de oração”, seria por ventura para se transformar num local de agitação? Barulho? Ausência de paz? Vandalismo? Protesto sem sentido ou como dizem “apartidário”? Ou o gesto drástico tinha um propósito específico e totalmente cônscio: as pessoas precisam respeitar o templo sagrado, o local de culto e não convertê-lo num local de negociatas.

3) Dizer que Jesus era um “agitador de massas”, “um rebelde”, “um Che espiritualizado”, é uma tremenda falsidade. Ele é Deus encarnado. E você não me venha citar um episódio do Evangelho e retirar só a parte que lhe aprouver.

4) Era uma atitude pensada a expulsão dos comerciantes? Sim. Intencional de Jesus? Sim. Articulada? Sim. Foi espontânea? Do nada? Não. Por que na sua Paixão Cristo não agiu como um “rebelde”? Vamos ensinar aos esquerdistas de plantão como se interpreta um texto (interpretação sistemática)?

4.1. Pedro tentou agiu como um “revolucionário” para defender a Cristo:
“Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão” (Mt 26, 51-52)

4.2. Outro exemplo:
“Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo”. (Jo 18, 35-36)

4.3. Qual a atitude cristã?
"Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra" (Mt 5,5).

"Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5,9).

“Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. (Mt 5, 38-45)

4.4. Sabe qual foi a minha reação quando li essa bobagem?
“Vendo isto, Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma? (Lc 9,54)

Porém, o Jesus “revolucionário” contesta:
“Jesus voltou-se e repreendeu-os severamente. [Não sabeis de que espírito sois animados. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação”. (Lc 9,55-56).

Afinal de contas, não podemos NUNCA nos esquecer de que o Sagrado Coração de Jesus foi, é e sempre será manso e humilde (Mt 11,29). Que Ele faça a verdadeira revolução: transformar nosso coração de pedra num coração de carne (Ez 36, 26-28)!

A caricatura de Jesus por Duvivier


Esse texto é uma resposta à caricatura de Jesus que Duvivier desenhou em artigo na Folha [1]. A presunção do humorista chega às raias da loucura: ele escreve como se fosse o próprio Jesus, o que é muito sério e grave, mas sei também ele que não se importa. Portanto, eu me dirigirei a ele em tom descontraído como se fosse engraçado. Frente a frente com Duvivier num boteco, à espera de sua piada sem graça.

Parece que se você lê e escreve, não entende o que lê e escreve. É mais um que compõe o vasto rol de analfabetos funcionais. A título de exemplo, uma pesquisa da UnB revelou que mais de 50% dos universitários brasileiros o são. Não se sinta excluído. A estupidez é coletiva também e pode se organizar nesse "epíteto".

Jesus APARECE e AGE na primeira temporada sim como segunda pessoa da Trindade. Basta ler: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito" (Jo 1, 1-3). Ele estava lá o tempo todo, embora só se encarne na "segunda temporada". Não vou perder tempo em explicar a questão da Trindade que dificilmente entenderá.

Quanto ao fato de Jesus ser de "esquerda" é de uma desonestidade tão grande que dispensa comentários. Usar uma categoria que é sujeita a uma conjuntura histórica para enquadrar pessoas é de uma imbecilidade e anacronismo sem limites. A burrice não tem limites. Quanto mais se cava, mais se acha. Você é prova disso.

Quanto ao jovem rico, cabe explicar a distinção que Cristo faz entre "vida eterna" e "reino dos Céus" (Mt 19, 16ss). Para ganhar a vida eterna basta cumprir os dez mandamentos como o próprio Jesus diz. Para ganhar o "reino dos Céus" é necessário desapegar-se de tudo.

O que é o Reino dos Céus? Não é aqui na Terra. "Meu Reino não é desse mundo" (Mt 18, 36), ainda que a CNBB pense o contrário. Consiste na vida em Cristo, a vida na graça como grandes santos, místicos e teólogos o interpretaram, a menos que você pense, Duvivier, ser maior que Santo Agostinho, Santo Tomás, Santa Teresa d´Ávila etc. Se Cristo disse que o "servo não é maior que seu senhor" (Jo 15,20), você tomou logo o lugar do Senhor, o quê dizer? É evidente que você se acha mais que todos esses grandes homens.

De novo comete o mesmo erro. Jesus é socialista. A qual socialismo se refere? Acredito que não saiba. Nem Lula sabe qual socialismo quer. Para Marx e Engels, a religião consistia em ópio do povo. Cristo é quem liga de novo (religa) o homem a Deus, reconcilia-o com o Pai. Logo, para Ele que é a "religião" em pessoa, não pode ser ópio, não é mesmo?

Eu o apresento para você, Duvivier. Cristo é, segundo seu amigo e primo João Batista, o "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29). Pecado para você deve ser bobagem, pois é... O ator que "interpreta" o papel de Jesus está muito mal. Só o Porta dos Fundos para querê-lo mesmo.

Para Bakunin, pensador que queria o fim do Estado, Cristo inaugura o princípio da laicidade: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22, 30). E em momento algum defendeu a supressão do Estado romano, por exemplo. Criou limites para a atuação estatal. Que lição os brasileiros poderiam tirar daí quando o Estado intervém em tudo? Até no chopp tomado para desestressar dos problemas criados pelo próprio Estado! Leiam o livro do Bruno G.: “Pare de acreditar no governo, por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado?”

Esse mesmo princípio que vocês da esquerda dizem defender e impõem aos religiosos como mordaça. É óbvio que não sabem o que significa. É um mero peido verbal a alegação que o "Estado é laico". Sem substância nenhuma quando isso sai da boca de vocês. A intenção é meramente silenciar os cristãos, colocá-los num gueto na sua esfera privada e proibi-los de se manifestarem na vida pública. Não, nós temos todo o direito de falar, expressar e expor nossas posições políticas/religiosas, porque o Estado é laico.

Na verdade, não foram os dois ladrões que foram para o paraíso. Foi só o Bom Ladrão, aquele que se converteu na última hora. Será que sabe ler, Duvivier? Tenho minhas dúvidas. A justiça não exclui a misericórdia em Cristo. Deveria saber isso. Não misture alhos com bugalhos, pois terei certeza de que é analfabeto funcional. Jesus disse que não veio para condenar (Jo 12, 47), mas afirma o Inferno (Mt 10, 28) e o Juízo (Mt 7, 21). E aí? Como conciliar? Não peçam ao Duvivier para explicar, por favor.

É importante dizer, Duvivier, que Cristo não personaliza as pessoas. Ele veio para salvar o gênero humano! Homens e mulheres. Mas se até a Presidente separa: "homens e negros", o que, para mim, é um racismo linguístico. Eu explico: homens e mulheres podem ser negros/brancos, ricos/pobres etc. Quem divide para conquistar é sua patota política. Que coloca mulheres contra homens, negros contra brancos, gays contra heteros etc. para dominar a todos no final.

É curioso ver como sua língua é bifurcada como a da serpente (lembra do Gênesis?). Para calar os cristãos, alega o "Estado é laico" de modo histérico. Para angariar simpatia dos cristãos para suas causas, passa-se por um espantalho de Jesus e fala como se fosse Ele. Mas Duvivier só "cola" para quem sabe menos que ele, o que me parece ser muito difícil. Tem que se esforçar muito. 

Além de repetir uma série de chavões, clichês, senso comum etc. que funcionam por causa da "educação" secundarizante que recebemos do MEC que é recompensada com justiça, visto que ocupamos os últimos postos no ranking internacional. Por exemplo, negro não ter alma segundo os cristãos (http://ocatequista.com.br/archives/6379). Se formos olhar na história, foram os negros que começaram a se escravizar primeiro, uns dominando outros. Não os brancos. Será que os coletivos negros podem roer esses dois ossos? Segue: DAVIS, Robert, Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast, and Italy, 1500-1800, New York, Palgrave Macmillan, 2004 / BAEPLER, Paul (ed.), White Slaves, African Masters. An Anthology of American Barbary Captivity Narratives, Chicago and London, Chicago University Press, 1999. 

Um recado para os militantes: se você quer dar sua bunda, porque é laica, dê! A única vez que Deus interveio e mandou anjos para destruir cidades pela sua degradação foi em Sodoma e Gomorra. Quando você dá sua bunda, não aparece nenhum anjo para impedi-lo, não é? Nenhum cristão é fiscal da bunda alheia. Mas não use Deus para justificar sua putaria. Não use o nome santo de Jesus para dar legitimidade aos seus pecados.

Foi Ele mesmo quem disse que o casamento é entre homem e mulher (Mt 19, 5) e seu maior apóstolo, para quem apareceu inúmeras vezes pessoalmente depois da Ressurreição, disse que a sodomia era pecado grave (Rm 1, 25ss). Será Jesus homofóbico (sic) também? Se você quer defender o aborto, porque seu ovário tem que estar livre do rosário, ainda que algumas feministas fiquem enfiando crucifixos e imagens de Nossa Senhora no brioco, não use da piedade cristã para acobertar o crime que é uma mãe matar o filho e sair impune. Cristo era Cristo no ventre de sua mãe (Lc 1,41). Não era um "objeto", uma "coisa" etc. Era um ser humano. E assim sucessivamente.

Em outras palavras, parem de usar o nome de Deus em vão. É uma ofensa ao segundo mandamento. Não digo agora para Duvivier que caga para isso. Jesus para ele é só um navio fura-gelo para sensibilizar outros estúpidos e mudar a sociedade. Falo para as pessoas que ainda têm temor a Deus, mas insistem em justificar suas "lutas políticas", sob um manto de um falso cristianismo. Se Jesus estivesse aqui, faria isso e aquilo.

Não sei se sabe, no entanto, Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. Se o Cristo de ontem não justificou nenhuma dessas causas, não será agora, tampouco no futuro que mudará de ideia. E chego à conclusão: qualquer pastor semi-letrado entende mais da Bíblia que o Duvivier. Isso ficou cristalino ao analisar esse cocô verbal. Se há alguém que precisa sentar e aprender com os pastores, é você, Duvivier. Ainda há tempo.

Fica o convite também de Cristo: Convertei-vos e crede no Evangelho. Não o Evangelho moldado de acordo com seus gostos, nem um "deus" self service que você escolhe o que mais lhe agrada, porque se "deus" é o que quero que seja, eu sou "deus" de mim e caio na idolatria. Se eu determino o que "deus" pensa, eu sou "deus" de mim. 

Mas Cristo que faz um marketing às avessas também disse: quem quiser me seguir, RENUNCIE A SI MESMO, tome sua cruz e me siga. Quem se entrega ao pecado, é escravo do pecado. Eu vim chamar os pecadores. Convertei-vos e crede no Evangelho. Meu jugo é suave, pois sou manso e humilde de coração. Está sem referência bíblica para fazer os leitores pesquisarem e não caírem na lorota de tapeadores. Quem não é cristão, leia o "cerne" dos Evangelhos em Mateus de 5 a 7 e verá que Duviver é um pilantra. Não acreditem em mim, e sim, nos seus próprios olhos (groucho Marx).

Dirijo-me aos católicos agora, é como Nossa Senhora de Fátima exigiu: "Parem de ofender a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido". É hora de fazermos o que nos cabe, de nos unirmos e rezarmos. Não contem com a CNBB que deu azo a esse estado de coisas. A CNBB está mais preocupada com "questões sociais" do que com quantos católicos que cometem sacrilégios em todos os domingos por comungarem sem ter se confessado, mesmo depois de terem feito pecado grave.

Ah: a mídia não fala, mas a CNBB não representa a posição oficial da Igreja. É só um aglomerado de bispos que emitem notas solitárias, cuja catolicidade está sob suspeita em alguns pontos. Como o Leonardo Steiner que defendeu o casamento gay, por exemplo [2]. Secretário-geral da decaída entidade.

Por fim, saibam que Cristo é radical! Ele quem disse: quem não está a meu favor, está contra mim. Apesar de parecer que o mal vence cada vez mais batalhas, cabe dizer que Deus vencerá no final das contas. Isso é certo. Na Cruz, Jesus venceu todos os inimigos. O que importa é saber de qual lado estará quando isso ocorrer. Que Deus nos ilumine, sobretudo o Duvivier. 

Todos esses males seriam evitados, se nosso povo entendesse essa lição: "A opinião de um ator sobre política não importa merda nenhuma" (Kevin Spacey ao El País). Na religião então nem se fala.

Notas


A divisão do Reino: as CEBs e as celebrações da Palavra



Um reino dividido contra si mesmo pode subsistir?

A resposta de Nosso Senhor é negativa (Mc 3, 24). Um reino dividido contra si mesmo não pode subsistir. Foi por essa razão que, no Horto das Oliveiras, o Salvador, entre as gotas de sangue que pingavam de sua sagrada face, implorou: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um (Jo 17, 11).

Adianto que a questão que tratarei tem um pano de fundo teológico, mas é mais prática, ‘pé no chão’. Outro alerta: vou expor a minha realidade local diante das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base, se aproveitar e fizer sentido à sua, ótimo; se não, paciência. E não vai ser uma visão otimista, embora adoraria fazer um prognóstico positivo, mas, infelizmente, o quadro presente dá sinais de que a coisa não vai bem e tende a piorar.

Em primeiro lugar, o modo como as CEBs se estruturaram ao redor da “Celebração da Palavra” com distribuição da Eucaristia é um tiro no pé da própria Igreja. Por quê? Não é um exagero? Não, não é. A “celebração da Palavra” tenta fazer uma caricatura da Santa Missa e, ao fim e ao cabo, a ‘lógica’ por trás é exatamente essa, inclusive a ‘liturgia adaptada’ se inspira aí e, às vezes, não faz os ajustes necessários entre o leigo e o padre, que são os falantes [1].

Antes de prosseguir com a minha opinião, em que o leitor pode achar pertinente ou não, aderindo ou não a ela, todavia, se é o Magistério quem fala, a situação é outra. Vejamos qual é a posição da Igreja sobre o tema:

Na Instrução Redemptionis Sacramentum, o parágrafo 164 afirma que “as celebrações dominicais especiais, devem ser consideradas ABSOLUTAMENTE extraordinárias” e o parágrafo 167 arremata:

“«De maneira parecida, não se pode pensar em substituir a santa Missa dominical com Celebrações ecumênicas da Palavra ou com encontros de oração em comum com cristãos membros de outras [...] comunidades eclesiais, ou bem com a participação em seu serviço litúrgico». Se por uma necessidade urgente, o Bispo diocesano permitir ad actum a participação dos católicos, vigiem os pastores para que entre os fiéis católicos não se produza confusão sobre a necessidade de participar na Missa de preceito, também nestas ocasiões, a outra hora do dia.”

Está mais do que cristalino que essa confusão já acontece, não é? A Missa é rebaixada e nivelada à celebração nas CEBs. Prossigo.

 “Como temos poucos padres e precisamos difundir o Evangelho, releguemos ao leigo que pós-Vaticano II assumiu um papel relevante na evangelização”, diriam os adeptos. Aliás, prosseguem eles, “é uma forma de tornar a Igreja mais acessível e menos ‘elitizada’”. [2]. Ou: “Ah, o autor desconhece que há previsão canônica para esse tipo de atividade” [3], os mais rígidos rebateriam.

É importante ler as notas para compreender o texto – eu sei que é chato, porém é uma chatice necessária. Responderei a essas questões.

a) Mas quais são as consequências das CEBs como as conheço? A Igreja gasta rios de dinheiro para formar padres. E como, infelizmente, o deus mamon tem ganhado espaço nos corações, inclusive do clero (é trágico, eu sei e não sabe quanto lamento que seja assim!), considero que seja oportuno frisar: a Igreja gasta rios de dinheiro para formar padres que, em tese, receberam estudo para conhecer a verdade (o casamento da filosofia com a teologia) e sabem transmiti-la ao povo, acaba jogando isso pela janela quando “delega” dominicalmente a um leigo a organização da celebração em concorrência com a Santa Missa. Por exemplo, onde moro a Santa Missa “compete”, simultaneamente, no mesmo horário e no centro da cidade com mais de dez comunidades com suas respectivas celebrações. (a competição do ponto de vista espiritual inexiste, por isso as aspas, um montículo não concorre com uma montanha);

b) Por que a Igreja joga pela janela o gasto feito com os padres? Simples. Se a formação foi instituída, desde o Concílio de Trento, para moralizar e organizar o clero, a instituição vulgarizada da celebração repete o passado no sentido de que a propagação do Evangelho é terceirizada para o laicato sem que este tenha condições de fazê-lo de maneira adequada. Sofistiquei a resposta. Em outras palavras, transfiro a alguém que não tem o devido preparo e ‘poupo’ o preparado.

c) Por que o leigo, em geral, não pode assumir essas funções? Superando o debate que é o próprio do Magistério que estabelece a excepcionalidade (a exceção) como já expus (releia também a nota de rodapé número 3). Agora explico o porquê o leigo não tem condições de assumir essas funções como regra.

1 – Formação. Na maioria dos casos, os leigos não têm uma formação adequada (não estou dizendo que há intenção de ficarem ignorantes nos assuntos religiosos, é a realidade, lembram?);

2- Espiritualidade. O leigo não preparou seu espírito durante anos ‘enclausurado’ no seminário numa vivência de comunidade, com orações e num ambiente ordeiro [4];

3- Tupiniquim. A situação se agrava no Brasil por ser um país prodigioso em analfabetismo funcional. Pesquisa da UnB revelou que mais de 50% dos universitários são analfabetos funcionais, imagine a composição dos ministros da Palavra que em sua maioria não tem o ensino superior [5]. Em outras palavras, se nem os universitários estão habilitados a ler e escrever com justeza, quem dirá os não universitários num contexto em que mais de 70% da população não abriu um livro sequer em 2014. Outra pesquisa, são ‘dados’ reais. A realidade nua e crua. Lembrando: Bíblia significa livros (do grego “biblion”). 73 livros para ser exato. Uma biblioteca muito modesta.

4- Tempo. A vida moderna suga nossas horas e, às vezes, achamos que um dia é pouco para cumprir nossas atividades. Sem contar as distrações que redes sociais, séries, programas de TV etc. absorvem. O padre é separado do povo para o povo. Essa ‘separação’ inclui tempo consigo, em comunidade e com Deus. Por isso ele não trabalha como um profissional mundano, embora as ‘férias coletivas’ dadas em Janeiro sinalizem o contrário (evito a polêmica por hora). O leigo dispõe de pouco tempo. Exigir que supra uma função que deveria ser do sacerdote é uma injustiça. O leigo deve anunciar o Evangelho, em primeiro lugar, na Igreja doméstica (família) a partir daquilo que recebeu da ‘Igreja pública’; além de ser ‘sal e luz’ no mundo, no seu trabalho, no seu dia a dia. Estou falando de prioridades, não de esquemas fechados.

d) Por que os bispos/padres favoráveis ao modelo atual não percebem a furada em que se meteram? ‘Foge da dor e busca o prazer’. É assim que opera nossas reações muitas vezes. É claro que quando o leigo assume atividades essencialmente ligadas ao sacerdócio, o padre fica aliviado, desocupado. Será totalmente verdadeiro isso ou apenas parcialmente? Pensem na multiplicação de ‘picuinhas’ que dezenas de comunidades espalhadas na mesma cidade geram. Fulano da Comunidade A disse isso ou aquilo, o da B fez o oposto e blá, blá, blá (fico cansado só de imaginar). Um resultado que a CEB propõe – reduzir a carga laboral do padre – no lugar de ser uma solução, acaba multiplicando os problemas. Tem a ver com o que Nosso Senhor falou: quem procurar salvar a sua vida, vai perdê-la (Mc 8, 35). Quem procurar se livrar da dor, irá aumentá-la.

e) Como fica o rebanho do Senhor? Ainda que não tenha sido um resultado previsto, o fato de colocar a celebração da Palavra como regra, gera uma equiparação entre esta e a Santa Missa. Essa equiparação é uma erva daninha, aliás, é o joio. Sabemos bem quem cultiva esse espécime. Por quê? A resposta é simples. Afasta as ovelhas do convívio com o pastor e, como visto na letra C, coloca um cego para guiar outro cego, melhor dizendo, uma ovelha para guiar outra ovelha. Mas quem defende a ambas do lobo? Eu sei: vão dizer que há muitos padres que são lobos em pele de cordeiro. De qualquer modo, é importante que as ovelhas estejam em contato com o pastor [6]. Como vão cumprir o pedido do Papa de que o pastor tenha o cheiro das ovelhas, se o próprio pastor colocou cada grupo em um canto diferente? Quando o próprio pastor aprova a ideia de que separadas, engordam mais? Repito: ainda que o pastor seja uma réplica de Judas, é necessário que as ovelhas estejam ao redor dele, porque até uma pessoa má, com coração de pedra, faz coisas boas às vezes e, nas suas torpezas, pode acertar sem vontade, afinal, passou anos ouvindo coisas certas na sua formação (volte à nota 4), e, numa decisão ou outra, pode agir corretamente (já dizia Machado de Assis que relógio parado acerta a hora duas vezes). Sem contar que existe a graça do estado clerical em que Deus tenta driblar esses pecados e vícios para que sua ovelha não pereça [6]. Não nos esqueçamos: Jesus é o Bom Pastor. Bom. Bom. Bom. Entenderam? Ele deixa 99 ovelhas farisaicas para buscar umazinha, a perdida, a publicana, toda ferida e estrepada, mas que o procura com sinceridade e amor. “Oh, a bondade de Deus é indescritível!”, diriam os santos.

f) O quê o autor humildemente sugere? A solução é simples e não se realiza sem sofrimento. Em primeiro lugar, precisamos quebrar o costume torto que se formou AOS POUCOS para não escandalizar ninguém. Também não adianta fazer uma mudança drástica e danosa aos espíritos mais apegados. O que tem que ser feito com urgência: dar a Deus o que é de Deus.

1- TIRAR todas as celebrações da Palavra dos locais em que há meios de se ir à Santa Missa com relativa facilidade como na cidade (não podemos colocar um fardo pesado nos outros) do DOMINGO. Os antigos já sabiam: domingo é dia de Missa.

2- REMANEJAR as celebrações da Palavra para outro dia da semana para que percam a importância indevida que receberam (quebra de costume) como o sábado. Seria “o dia” da celebração para desocupar as pessoas para o Domingo.

3- MANTER aos domingos as celebrações da Palavra nos lugares distantes como distritos e zonas rurais;

4- Como consequência, os padres precisariam celebrar mais de uma Missa na Igreja Mãe (por exemplo: manhã e noite no domingo ou sábado à noite com liturgia dominical e domingo de manhã) para que os mais variados tipos de ovelhas afluam ao aprisco com certa acessibilidade de hora;

5- Deixar as CEBs instaladas para: catequeses, encontros formativos, círculos bíblicos, festividades dos padroeiros (ótima ocasião para fortalecer o espírito da CEB), missa mensal para o padre animar o trabalho comunitário etc. Essas ações funcionariam como uma espécie de isca naquela realidade menor para um horizonte maior, mais nobre e belo; E quem sabe usar os salões para festas e eventos com orientações religiosas, (almoços comunitários), tudo isso é bom e ‘agrega valor’; Não nos esqueçamos de que Nosso Senhor foi acusado de ‘glutão’, embora Ele fosse para os lautos banquetes, não com o intuito de se fartar de comidas e bebidas deliciosas, e sim, para “pescar” os pecadores que estavam lá se fartando de comidas e bebidas deliciosas. Imaginem os nós nas gargantas com pedaços de carne durante um discurso instigante de Jesus? Lágrimas misturadas aos vinhos... Devia ser engraçado e inspirador.

5- Aproveitar depois os ministros que ficariam “ociosos” para a formação e distribuí-los nos movimentos/pastorais e dedicar mais tempo e rigor aos ministros necessários (zonas rurais) para suprir as deficiências que, muitas vezes, são maiores neles dos que estão integrados na área urbana. Em miúdos, dar atenção a quem precisa de mais atenção.

Um efeito colateral não percebido do excesso de ministros é o esvaziamento das pastorais. Geralmente, quem assume o ministério da Palavra tem espírito de liderança e poderia fazer um bem enorme coordenando ou atuando ativamente numa pastoral/movimento, porém, é “abduzido” para a função com mais status (não podemos ignorar como a vaidade orienta nossas escolhas, mesmo que justas) e, ao mesmo tempo, mais fechada em si mesma que é a celebração. É possível que pense que ao “celebrar” em uma horinha já cumpriu seu dever na Igreja e que os outros se mobilizem, porque ele já fez sua parte.

Bom, essa é a minha reflexão para que as coisas melhorem na Igreja. Deixo aqui minha semente e rezo para que caia em terra boa, aquela que produz fruto e que agrada ao agricultor.

Para aprofundar, leia o Diretório para as celebrações dominicais na ausência do presbítero, clicando aqui.

Notas

[1] Vou superar as polêmicas ao redor de uma concepção equivocada do sacerdócio e da sua centralidade no mistério eucarístico.

[2] Isso não tem nada a ver com o pedido do Papa da Igreja sair de si e ir para as periferias, ok?

[3] Ótimo. Eu sei que existe, mas se vamos recorrer ao Código de Direito Canônico, recorramos à integralidade, não a uma parte conveniente. E se vamos observar as diretrizes magisteriais, que seja in totum (no todo). No entanto, o que vou fazer é exatamente o que critico: ignorarei as disposições oficiais da ‘Igreja Romana’ que não conhece a realidade da ‘Igreja Latina’ (numa insurgência contra o adágio ‘Roma locuta est, causa finita est’, porque não sei se os europeus sabem: a oficialidade não é vista com bons olhos aqui, há até uma antipatia violenta). É um ‘latino’ quem fala a partir de sua ‘realidade’, da sua ‘práxis’. É quase o Éden de alguns teóricos ‘libertadores’, não é? Reivindico a minha legitimidade então. Pois bem. Sigamos.

[4] Estou sendo idealista, perdoem-me, mas é feio dizer que existem hoje métodos de testar a vocação como lançar os vocacionados na ‘cova dos leões’ para ver se querem o ‘mundo’ ou ‘Deus’ e isso é o publicável, há coisas piores... Desculpem-me, mas ouço desde novo que preciso ser ‘crítico’ e estou fazendo o melhor que posso. Quem empreende isso desconhece a natureza humana decaída. Preciso injetar heroína para saber que ela faz mal e só então passar a combatê-la ‘com propriedade’? E se já havia lutas interiores somo mais uma, qual seja, o desejo de voltar a usar a droga? Nem o diabo pensaria em algo tão eficaz para viver corretamente! Parabéns aos reitores!

[5] Talvez seja acusado de elitismo injustamente, mas eu me defendo dizendo que é preciso saber ler e escrever corretamente para entender as nuances que os textos sagrados possuem, são mais camadas de sentido que as da cebola, a menos que queiramos repetir o erro de um pastor protestante que onde estava escrito adúltera (com acento), leu adultera. E adulterou com a fiel “a pedido de Deus” (sic), teve inclusive um dilema se devia ou não, mas era o que pedia a Palavra (sola scriptura). Logo, se não entendo bem a Palavra, como cumpro meu mister?

[6] Se o padre não está em “estado de graça” (comete pecados graves e não os confessa), ao menos, existe a “graça de estado” em razão de seu sacerdócio. O exemplo mais notório é o do Sumo Sacerdote Caifás que, não só tramou o julgamento do Senhor no Sinédrio (pecado gravíssimo, destruindo o “estado de graça”), como também profetizou, devido à graça de estado, que seria melhor que “um só morresse em lugar do povo” (Jo 18, 14). Em outras palavras, os homens, mesmo maus, cumprem a vontade Deus, conscientes ou não disso.

Carta a uma diocese dividida


Dividir para conquistar!

Reverendíssimos pastores da Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que foi comprada a preço de sangue no Calvário, eu, mísero leigo que perfila as centenas de fiéis da Diocese, gostaria de que me concedessem uns minutinhos da atenção dos senhores. Antes de qualquer coisa, peço-lhes a bênção paternal.

Também é importante dizer que sou um “vermezinho” (Jó 25, 6), desprovido de virtudes e quaisquer excepcionalidades espirituais e os padres que me atenderam em confissão podem comprovar isso. Mas, apesar de minha miséria, gostaria de fazer algumas observações sobre a realidade paroquial/diocesana e, que, talvez pelos senhores ocuparem a hierarquia, não têm condições de perceber alguns episódios.

É conveniente afirmar também que todos os casos aqui descritos são verídicos e que não decorrem só da minha observação, mas de situações concretas que me foram narradas por amigos. Não citarei os nomes dos leigos, tampouco dos padres envolvidos. De antemão, não se trata de algum escândalo, mas de atitudes pastorais.

O título que dá início à carta é uma máxima antiga atribuída ao imperador César (divide et impera), todavia está presente nos Evangelhos quando o Mestre foi acusado de expulsar demônios pelo poder de Belzebu e Ele contestou assim: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído” (Mt 12, 25).

Guardadas as proporções, essa passagem se aplica às realidades das comunidades eclesiais de base. Por quê? Porque a pregação do Evangelho foi terceirizada e, em muitos locais, as pessoas preferem ir às celebrações da Palavra às missas. Chegou-se a uma deturpação completa. O sacrifício incruento de Nosso Senhor foi trocado por um “congraçamento de leigos”. E uso a palavra congraçamento de modo proposital, pois as músicas usadas em muitas celebrações recordam bailes pela agitação. É a “animação” que querem forçosamente fazer com que aconteça nesse momento. Imaginem as santas mulheres, Santa Maria Madalena, a Virgem Maria e o São João (Jo 19) dando gargalhadas e dançando durante a Crucifixão do Senhor? Palmas e, em alguns momentos, parece um forró bodó. Há tempo para cada coisa, diz-nos o Eclesiastes, e, sinceramente, a missa não deve ser esse rastapé. As músicas litúrgicas estão muitas vezes inadequadas. Só a título de exemplo, o Hino do Glória, o qual muitos mártires morreram cantando e que foi construído com todo um desenrolar bíblico, é substituído por vulgatas boçais, toscas e infantis e com ritmos ainda piores.

Volto às celebrações da Palavra. Por que elas se tornaram “terceirizações”? Eu sei que os senhores devem conhecer muito mais do que eu, a Instrução Redemptionis Sacramentum, destaco os parágrafos 164 e 167. Naquele afirma que “as celebrações dominicais especiais, devem ser consideradas ABSOLUTAMENTE extraordinárias”, o que nossa realidade se choca e desmente categoricamente. Na verdade, parece que houve um “entreguismo” e tudo foi sendo repassado aos leigos. É uma terceirização em razão de que o “serviço prestado” é, muitas vezes, de baixa qualidade. Os senhores passaram por uma formação exaustiva até se ordenarem e deveriam saber também que em encontros mensais não é possível fazer com que um católico mal evangelizado e mal catequizado assuma funções para dirigir a celebração da Palavra. E o pior, caríssimos pastores, muitos são MAL alfabetizados! Não sabem sequer ler direito! É triste, mas é verdade. O material que recebemos é recheado de erros de ortografia e fazem uma algaravia com o missal. É uma espécie de missal para leigos. Os pronomes mal escritos.

Mas isso é de somenos importância. O ponto central é o seguinte: na minha cidade, a título de exemplo, há comunidades muito próximas à Matriz. Questão de metros de distância. E, infelizmente, como abundam as celebrações no domingo devido ao excessivo número de comunidades, a missa fica prejudicada. Há alguns problemas nisso: em primeiro lugar, não cumpre o preceito dominical. Em segundo, o Reino fica dividido, porque imaginem vários núcleos de cristãos espalhados recebendo formação irrisória nas “homilias” feitas por leigos no lugar de estarem recebendo formação adequada de um sacerdote que passou anos em preparação. Em terceiro, como disse, rompe com a unidade paroquial, a impressão que passa é que a Igreja está cada vez mais enfraquecida quando, na verdade, não está, e sim, está dividida, presa fácil para o lobo (a ovelha que não ouve a voz do pastor com regularidade, não é ensinada pelo pastor qual senda deve trilhar, não está à mercê do lobo? Não é mais o pastor que ensina a ovelha, agora, são as ovelhas que por si mesmas têm que se ajudar na sobrevivência). Em quinto, as missas “paroquiais” não são suficientes para isso. É preciso que semanalmente as pessoas que tenham condições de irem à Matriz, façam-no. Em suma, padres, nós precisamos dos senhores! Não queremos que sejam trocados por leigos!

Em contrapartida, é preciso falar também que em alguns locais, as celebrações da Palavra são indispensáveis, principalmente, nas zonas rurais. Nós sabemos que os senhores são poucos como alertou o Mestre (Lc 10, 2). Mas na área urbana não há motivo para não ir até a Matriz. Andar um pouquinho não faz mal a ninguém e ainda funciona como penitência. Outra observação é que muitos objetariam dizendo que isso esvaziaria as comunidades e seria um dinheiro jogado fora etc., mas há como remediar isso. As comunidades funcionam bem para centros de catequese, reuniões para articulação das necessidades locais, para realizar as orações comunitárias, adorações, encontros etc. O padre pode celebrar Missa lá também como já existe esse costume. Há também a festa do padroeiro da comunidade.

Para concluir, saliento o parágrafo 167 da Instrução: “«De maneira parecida, não se pode pensar em substituir a santa Missa dominical com Celebrações ecumênicas da Palavra ou com encontros de oração em comum com cristãos membros de outras [...] comunidades eclesiais, ou bem com a participação em seu serviço litúrgico». Se por uma necessidade urgente, o Bispo diocesano permitir ad actum a participação dos católicos, vigiem os pastores para que entre os fiéis católicos não se produza confusão sobre a necessidade de participar na Missa de preceito, também nestas ocasiões, a outra hora do dia.”

Minha glosa: infelizmente, isso já aconteceu e acontece. Inúmeras vezes eu presenciei pessoas dizendo que estavam liberadas da Missa pela participação na Celebração. Mais uma vez: padres, nós precisamos dos senhores! Não nos deixem órfãos! Reúnam as ovelhas ao redor de si! Queremos ouvir as vozes dos pastores! Os berros das ovelhas devem ser escutados com moderação e quando não há outro meio. Em outras palavras, seria até melhor por ter o número de ministros da Palavra mais reduzido, a formação poderia ser mais presente e mais centralizada. Ao invés de fazer para uma multidão e ignorar as particulares deficiências de cada um (que são muitas!).

Outro ponto delicado se chama sacramento da confissão. Em geral, sucedeu um engano na Diocese. Muitos padres confundem a celebração desse sacramento com uma espécie de direção espiritual ou, na pior das hipóteses, terapia psicológica. Por isso, perdem horas a fio, às vezes, com uma pessoa. E as outras desistem de esperar. Uma coisa é uma coisa. A confissão é sumária. Apresentou-se diante do sacerdote, disse os pecados, ele deu orientação mais breve ainda e absolveu. Passou a penitência e pronto. Próximo!

A direção espiritual é muito importante e deve ocorrer em outro momento. Não se podem confundir as duas realidades. Outra questão é que as pessoas perderam a noção de pecado e, por isso, seria útil para salvação delas que fosse repassado um exame de consciência e lhes fosse ensinado como se confessar. Como a Igreja sempre tem feito. Simples assim. Já o padre que pensa que ali é uma terapia psicológica, o problema é outro e não cabe comentar aqui. Não se ensina mais que NÃO SE DEVE comungar em estado de pecado grave (§1415, Catecismo da Igreja Católica). O sacrilégio é uma ofensa terrível já advertido por S. Paulo (1Cor 11,29)

Padres, pelo amor de Deus, os senhores querem ser responsabilizados pelos sacrilégios que se recusaram a evitar? O juízo de Deus será severíssimo. Muito foi dado aos senhores, muito será exigido também (Lc 12, 48)! Não permitam que as pessoas comunguem em estado de pecado grave. Esse ensinamento é confirmado pela Bíblia, pela Tradição e pelo Magistério. Pouco importa se o teólogo A ou B diz diferente. A quem prestaram obediência? Em nome de Cristo, impeçam esses crimes contra o Corpo e o Sangue do Senhor!

Sobre a moral sexual, esse é um tema que ninguém quer sujar a imagem e, pois, evitam pregar nas homilias. Abandonem o respeito humano! O caminho da castidade é de vida! Eu, como leigo e solteiro, testemunho isso. É libertador! É para todo mundo: leigo e casado! Cada um nas suas condições, de acordo com seu estado de vida. Para isso, conheçam a teologia do corpo do Papa João Paulo II. Será muito mais fácil pregar sobre esses assuntos com o auxílio desse material. As pessoas aceitarão de forma mais fácil, pois trabalha como a teologia está radicada na própria realidade biológica delas. Sugiro um livro: “Teologia do corpo para principiantes: uma introdução básica à revolução sexual por João Paulo II”. Os senhores colherão os frutos da castidade! Ensinem o correto e permitam que os jovens confessem seus pecados contra a pureza! Permitam que eles lutem pela castidade! A masturbação, seja masculina, seja feminina, é uma autosabotagem! E assim outros pecados sexuais: fornicação, adultério, homossexualismo (é um assunto delicado que foi exposto de modo autenticamente cristão em dois livros “Homossexualidade – guia de orientação para os pais” do Dr. Joseph Nicolosi e “Homossexualidade e esperança” do Dr. Gerard Van Den Aardeweg), incesto, pedofilia etc.

Mais uma vez: padres, nós precisamos dos senhores! Precisamos lavar nossas almas no confessionário! Ainda que caiamos mil vezes! Precisamos, padres! Deem-nos tempo! Tenham paciência com nossas fraquezas! Abram-se a esse sacramento! O santo cura d’Ars passava de 12 a 14 horas no confessionário, por que não querem o mesmo caminho? Querem descobrir a roda com um novo meio? Não! O caminho é o mesmo! Padres, por favor! Não virem as costas para nós! Suplicamos que gastem seus tempos conosco! Repitam quantas vezes for necessário: eu te absolvo dos seus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Não retenham o sangue de Cristo! Aspergi-o sempre e em todo lugar com esse sacramento salvífico! O mesmo se aplica ao sacramento da unção dos enfermos!

Sobre a confissão comunitária. Basta a leitura dos cânones 959 a 964 do Código de Direito Canônico para dar cabo dessa fuga que se dá dos fiéis de encararem o sacerdote e individualmente confessarem suas misérias (regra). Perigo de morte e necessidade grave são exceções tão remotas e extraordinárias que deveriam constranger tanto os fiéis quanto os padres.

A Igreja, ao mesmo tempo, que autoriza que o bispo estabeleça as condições (Cân. 961, § 1, n. 2), impõe um limite claríssimo: “não se considera existir necessidade suficiente quando não possam estar presentes confessores bastantes somente por motivo de grande afluência de penitentes, como pode suceder nalguma grande festividade ou peregrinação.” (Cân. 961, §2). Por exemplo, o que acontece na Quaresma. O certo seria fazer um mutirão de confissões chamando outros sacerdotes.

Passo adiante. Quero tratar dos pontos nefrálgicos. Passo agora às pastorais. Destaco a pastoral da juventude. O melhor meio é utilizar o YouCat. Ensiná-lo aos jovens. Temos SEDE da VERDADE que é Cristo! Precisamos de alimento sólido (Hb 5, 12)! Passou a época do leite da catequese! Chega de conversa mole! Acredito que o mesmo se aplique à pastoral familiar em alguma medida. Chega de conversa mole! Nossa Senhora em muitas aparições ensinou o método e serve para qualquer trabalho pastoral: cinco pedrinhas (de Davi) para derrotar o Golias (o diabo). Eucaristia, confissão, leitura da Bíblia, terço (rosário) e penitência. Já li muitos livros religiosos e, sem dúvida, tentei muitos métodos. Mas sempre volto a essas cinco pedras. Simples e eficaz como Maria é. Ela, na renúncia de si (escrava), ficou cheia de Deus. As pedrinhas são a base de todo cristão que procura se santificar. Ensinem isso aos leigos! Por favor, padres! Certamente, os senhores já vivem isso. Não guardem esses tesouros só para si! Se cada leigo colocar isso em prática, a realidade paroquial será mudada!

Bom, estou quase concluindo. Conto um episódio para dizer da importância da veste adequada para o sacerdote (batina ou/e clergyman). Soube de um padre da Diocese que foi a uma festa e, enquanto dançava, uma moça se insinuava para ele, porque segundo ela mal tinha ideia de que se tratava de um sacerdote. O padre não deu confiança e continuou sua dança de forma tranquila (ainda bem!). A moça ficou intrigada com aquilo e comentou com um parente: aquele homem ali não dá bola para mim. Já cansei de passar na frente dele e não quer dançar comigo. Até que esse parente disse: é um padre, mulher! Pare de assanhamento!

Embora a história seja engraçada, revela também a prudência das vestes ligadas ao estado de vida ao qual foram chamados. Usar as roupas adequadas facilitam a vivência dos propósitos feitos não só com o bispo na ordenação, mormente com o Senhor que pedirá contas. É como diz Santa Catarina de Sena: “todo bem será premiado e toda culpa será punida!”.

Por fim, peço que perdoem minha arrogância e presunção. Escrevo isso para o bem das almas, inclusive da minha! Não queiram construir só belas paredes, pintadas e ornadas, mas, antes, queiram que as almas dos fiéis estejam bem alicerçadas na Rocha que é Cristo! Não queiram só incensos e objetos litúrgicos caros, mas verifiquem se as almas dos fiéis, as quais lhes foram encarregadas, exalam o odor da santidade! O perfume suave da vivência dos mandamentos divinos e o suor das renúncias feitas!

Não queiram fazer só belos jardins, mas, antes, verifiquem se os vícios foram arrancados e as virtudes plantadas como convém ser aos filhos de Deus! Tudo isso pode soar arrogante, mas eu sei o meu lugar na Igreja, sou um mísero inseto (Is 41, 14), mas não levem em conta o pecador que escreve, e sim, o conteúdo narrado! Mais uma vez: padres, precisamos dos senhores! Novamente o povo passa fome e o Mestre tem compaixão. A nossa fome é outra. Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus. Temos fome e sede do ensinamento correto da Igreja de dois mil anos! Não de teólogos modernos que ultrajam o Magistério e a Tradição e que são cada vez mais populares nos seminários!

Espero que os senhores tenham a coragem de dizer como Dom Bosco: Dai-me almas e ficai com o resto! No final, o que importa é quantas pessoas se salvaram pelo trabalho dos senhores e, depois de uma vida de tormentos (Jó 7,1), possam ouvir da boca do manso e humilde Cordeiro, cujo fardo é leve e o jugo é suave, “servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor!” (Mt 25, 21).

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Quem é esta mulher?


Certa vez enquanto conversava com um amigo, que estudava Teologia para se tornar pastor, ele me fez uma pergunta simples e desconcertante. Ele queria saber se Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida eram a mesma pessoa. Ali ficou claro para mim que muitas disputas religiosas (católicos x protestantes) acontecem por conta da ignorância (não no sentido de "burrice", mas de não ter interesse de procurar entender mais a fundo o credo do outro).

O protestantismo nasce de "protestos" contra a Igreja católica por uma conjuntura muito desfavorável do início do século XVI. Vou copiar até uma expressão acadêmica... de uma confluência perversa, sobretudo na política alemã. Não quero tratar da "Reforma", embora até hoje seus efeitos permaneçam. A divisão da divisão, só que entre protestantes, e assim por diante.

Duas coisas que eu nunca vi, o que não significam que não tenham acontecido, não aconteçam ou não possam vir a acontecer, pois não sou o centro do universo. Nunca vi: um católico bem formado deixar a Igreja católica e um protestante que conhecesse a fundo o catolicismo para além da casca de clichês. Geralmente, o que se tem no atacado e no varejo são visões muito simplistas, interpretações equivocadas etc.

Acrescento que participei na faculdade durante mais de um ano de um grupo de estudo bíblico "ecumênico" formado por maioria de protestantes e quão agradáveis eram os debates sobre a Bíblia.

Para quem conhece pouco a doutrina católica, tem que levar em conta que o catolicismo não é a religião de um livro, mesmo que este seja sagrado. É religião de uma Pessoa: Nosso Senhor Jesus Cristo que, por estar vivo, é essencialmente dinâmico. A sua Palavra - Ele mesmo - nos é esclarecida em três faróis: Bíblia, Tradição e Magistério.

Cremos que a Igreja é Cristo continuado na história (At 9, 4) e que, portanto, permanece nos revelando "toda a Verdade" (Jo 16, 13), isto é, Ele mesmo. Em miúdos, Ele já nos disse tudo que precisava dizer, mas o "tudo" se esclarece à medida que o tempo passa. E a sua Palavra renova todas as coisas (Ap 21, 5) conforme a nossa capacidade de suportá-La (Jo 16, 12).

Infelizmente, não é algo tão simples de ser explicado. São Paulo resume: “Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja" (Ef 5, 32). Mas respondendo à dúvida do futuro pastor, disse que eram representações diferentes da Mãe do Senhor (Lc 1, 43). O termo técnico é: título. São títulos diferentes de Nossa Senhora em que cada título guarda uma longa história.

Por que as representações são diferentes? A resposta é arte. Cada artista representa a Mãe do Senhor com um aspecto que lhe apetece (nariz mais fino, mais redondo; mais clara, mais morena; com roupas simples ou sofisticadas etc.). Estou "simplificando" muito essa resposta. Tinha que levar em conta a descrição dos videntes em aparições etc.

Enfim, a grande evasão de católicos se dá por questões humanas (falta de acolhimento, brigas, desentendimentos com padres, lideranças, maus exemplos etc.), e não tanto por doutrinais. Mas de que adianta estar certo (ter a razão no cérebro) e não amar o irmão (ter a razão no coração)? Muito pouco.

Aos católicos que enfrentam problemas na sua paróquia, eu queria deixar um testemunho pessoal. Igreja não é lugar para se sentir bem. É claro que se você se sentir bem será um combo maravilhoso. Sigo a Igreja católica por acreditar com toda a minha alma ser a única que Jesus realmente quis e deixou. Ser, em miúdos, a verdadeira. Se eu não cresse nisso, nunca mais iria à Missa ou participaria de qualquer atividade.

Muitas vezes, eu vivi na pele o que São Paulo recomenda: "Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós" (Cl 3, 13).

Sigamos, meus irmãos, pois "quem persistir até o fim, será salvo" (Mt 24, 13).

VIVA NOSSA SENHORA APARECIDA, PADROEIRA DO BRASIL!

VIVA CRISTO REI!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Código da Vinci: nada há de novo debaixo do sol


Publicamos, sob autorização, uma excelente resenha do Pe. Juliano Ribeiro Almeida sobre o filme, também homônimo do livro, Ó Código da Vinci, escrito em 2006. O texto nos recorda o livro do Eclesiastes: nada há de novo debaixo do sol...


O FILME DO CÓDIGO
Pe. Juliano Ribeiro Almeida

Na próxima sexta-feira estréia nos cinemas de todo o Brasil o filme “O Código Da Vinci”, considerado a bilheteria mais esperada do ano e, certamente, um dos maiores sucessos cinematográficos dos últimos tempos, se seguir o estrondo de vendas que teve o livro que o inspirou.

Não há mais como desautorizar a obra; isso já foi feito e também vendeu bastante. Mas não adianta mais, pois a campanha já obteve o efeito desejado; e tudo colaborou para que a expectativa enfim vencesse o receio: até mesmo os pronunciamentos contrários ao filme por parte de algumas instâncias da Igreja Católica já cumpriram o seu papel de incentivar ainda mais a curiosidade do público. O polêmico nunca vai ser tão gostoso de se devorar quanto o proibido.

O fato é que o filme está aí e todos assistirão a ele. O público não-leitor também vai ter acesso à intrigante investigação do professor de simbologia religiosa Robert Langdon e da criptógrafa Sophie Neveu sobre um assassinato em Paris envolvendo um membro de uma antiga confraria que guarda alguns grandes pretensos segredos:

Na p. 251 do livro, faz-se um grande alarde para se dizer que Jesus foi um “homem mortal”. Grande coisa! A própria profissão de fé dos cristãos já afirma isso: “padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”. O cristianismo professa que Jesus morreu de verdade, pois assumiu em tudo a condição humana.

Adiante, na página 273, revela-se que Jesus é “um profeta totalmente humano”. Onde está a novidade nessa afirmação!? Os cristãos acreditam que Jesus era, sim, verdadeiramente humano, mas isso não significa negar que Ele seja divino. A doutrina cristã sempre afirmou que Cristo é “verdadeiro Deus e verdadeiro homem”, e não metade Deus, metade homem.

Um dos erros crassos de Dan Brown foi apresentar a interpretação que alguns evangelhos apócrifos fizeram desse “segredo” e apresentá-los como algo guardado a sete chaves pelo Vaticano, quando na verdade eles estão publicados, estudados nos seminários e facilmente localizados em sebos de toda sorte. Parece que a receita do autor é a mesma boa e velha tempestade em copo d’água; a mesma utilizada já em outros filmes, como Stigmata e O Corpo, por exemplo.

Quando se achava que a teoria do Santo Graal não alcançaria um lugar mais digno que aquele em Indiana Jones, lá vem a inusitada nova versão dos fatos: o Santo Graal não seria verdadeiramente o cálice da última ceia, mas a notícia de que o discípulo amado não era João, o evangelista, mas Maria Madalena, com quem Jesus teria se casado e estabelecido uma descendência que hoje vive na França.

No final das contas, o filme terá mais condições de atrair um incrédulo que se interesse pelo cristianismo do que abalar a fé de um cristão mediano com um mínimo de inteligência histórica.