segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Tu és Pedro



No dia 29 de junho, a Igreja celebra os dois pilares da fé católica, São Pedro e São Paulo. Em outra ocasião, já mostramos como ambos os apóstolos refutam o protestantismo (clique aqui). Hoje prestamos nossa homenagem a São Pedro com base num itinerário dentre tantos possíveis, elaborado por nós, à luz dos Evangelhos.

A VOCAÇÃO DE SÃO PEDRO
"Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a Palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago –, pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes –, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar”. Simão respondeu-lhe: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas, por causa de tua palavra, lançarei a rede”. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que vies­sem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: “Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador”. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então, Jesus disse a Simão: “Não temas; doravante serás pescador de homens”. E, atracando as barcas à terra, dei­xaram tudo e o seguiram” (Lc 5, 1-11).

AS RENÚNCIAS DE SÃO PEDRO
"Jesus disse então aos seus discípulos: “Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos Céus! Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: “Quem poderá então salvar-se?”. Jesus olhou para eles e disse: “Aos homens isso é impossível, mas a Deus tudo é possível”. Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: “Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?” Respondeu Jesus: “Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”. “Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros” (Mt 19, 23-30).

O INÍCIO DO PAPADO E O PODER DAS CHAVES
"Chegando ao território de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: “No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?”. Responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas”. Disse-lhes Jesus: “E vós quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”. Jesus, então, lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19).

SÃO PEDRO REJEITA A CRUZ E NOSSO SENHOR O REPREENDE
"E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias. E falava-lhes abertamente dessas coisas. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo. Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens”. Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, irá salvá-la. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?" (Mc 8, 31-36).

NOSSO SENHOR PREVÊ A NEGAÇÃO
"Disse-lhes então Jesus: “Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galileia”. Pedro interveio: “Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás”. Disse-lhe Jesus: “Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás”. Respondeu-lhe Pedro: “Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei!”. E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo” (Mt 26, 31-35).

A NEGAÇÃO DE SÃO PEDRO
"Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: “Também tu estavas com Jesus, o Galileu”. Mas ele negou publicamente, nestes termos: “Não sei o que dizes”. Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: “Este homem também estava com Jesus de Nazaré”. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: “Eu nem conheço tal homem”. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: “Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer”. Pedro, então, começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: “Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. E saindo, chorou amargamente" (Mt 26, 69-75). 

A CURA DE SÃO PEDRO
"Depois disso, tornou Jesus a ma­nifestar-se aos seus discípulos junto ao lago de Tibería­des. Manifestou-se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galileia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: “Vou pescar”. Responderam-lhe eles: “Também nós vamos contigo”. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam. Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não o reconheceram. Perguntou-lhes Jesus: “Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer?”. – “Não”, responderam-lhe. Disse-lhes ele: “Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis”. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes. Então, aquele discípulo a quem Jesus amava, disse a Pedro: “É o Senhor!”. Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas. Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes (pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados). Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão. Disse-lhes Jesus: “Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes”. Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: “Vinde, comei”. Nenhum dos discípulos ousou perguntar-lhe: “Quem és tu?” –, pois bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e lhos deu, e do mesmo modo o peixe. Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado. Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?”. Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe outra vez: “Simão, filho de João, amas-me?”. Respondeu-lhe: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, amas-me?”. Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: “Amas-me?” –, e respondeu-lhe: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres”. Por essas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: “Segue-me!” (Jo 21, 1-19)

São Pedro, rogai por nós, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

sábado, 28 de setembro de 2019

Mulheres, brilhem sua luz diante dos homens!


Nosso Senhor Jesus Cristo revelou que Ele é a “Luz do mundo” e todo aquele que crer n’Ele “não ficará nas trevas” (Jo 12, 46). Ele explica que quem O segue, terá a “luz da vida” (Jo 8, 12). Somente após um encontro com Cristo, com a Luz do mundo, é possível para nós, seus discípulos, que carregamos o nome de cristãos, sermos também como o Mestre a “luz do mundo” (Mt 5, 14) e fazer com que brilhe nossa luz “dian­te dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus" (Mt 5, 16). Em outras palavras, o salmista entoa que em Deus “está a fonte da vida, e é na Vossa luz que vemos a luz” (Sl 36, 9).
         A linguagem bíblica, às vezes, parece não nos comunicar nada com seus termos abstratos, mas a deficiência está em nós. A gente lê, ouve e, quando acha que entende algo, em poucas ocasiões praticamos. A grande contradição hoje é: o Evangelho é a Boa Notícia, mas quando é dita aos outros, no auge da “sociedade da informação”, a reação mais comum é a indiferença. A indiferença de Belém: “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 7). A indiferença dos judeus: “os seus não O receberam” (Jo 1, 11). A indiferença geral: “os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más” (Jo 3, 19).
         É como se estivéssemos pregando para as paredes. Talvez pese sobre nós, a geração do smartphone, a dura correção do Senhor: “Tocamos a flauta e não dançais, cantamos uma lamenta­ção e não chorais” (Mt 11, 17). Apesar disso, as mulheres cristãs [1], nessa sociedade depravada e maliciosa em que estamos (Fl 2, 15), são chamadas por Deus a dar um testemunho de que os seus corpos são “templos do Espírito Santo” (confira I Coríntios 6, 18-19). Esse testemunho acontece, em primeiro lugar, com as roupas que elas usam dia a dia. São Leão Magno é muito atual quando exorta: “reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias com um comportamento indigno da tua geração. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não esqueças que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz do reino de Deus”.
         E, agora, eu lhes pergunto: como vocês poderão cumprir essa altíssima vocação [2] usando roupas curtas (shorts, microshorts, nanoshorts, minissais, nanossaias, tops etc.), colantes (calças leggins, skinny, slim, “jeans pele” etc.)? Vestimentas que em uma palavra são provocantes. Provocando os homens a pecar por meio do desejo de seus corpos (Mt 5, 28)? Um pecado grave é suficiente para condenar uma alma imortal ao Inferno. Por quanto tempo? Para sempre. Para sempre. Para sempre. 
         Nossa Senhora em Fátima disse que os pecados da carne são os que mais levam as almas para o Inferno e Santa Jacinta profetizou em 1917, com nove anos de idade, que “virão modas que ofenderão muito a Nosso Senhor”. Imagine uma moça cristã, batizada, crismada, lavada no Sangue de Cristo, vestindo um short curto e achando um máximo receber uma cantada de rua? Um assovio? “Gostosa”? “Ô lá em casa”? “Areia demais para meu caminhãozinho”? E coisas do gênero. Pobres mães, que ensinam desde cedo, as suas filhas a se vestirem mal. Pobres filhas de Eva, perdoadas do pecado original, preferem viver sob a maldição de sua antiga mãe (Gn 3, 16).
         Certa mãe me disse que preferia ver a filha com roupas curtas a saber que na escola sua filha seria tachada de velha por usar roupas decentes. Como se modéstia fosse se vestir como uma senhora de 90 anos. Modéstia não exclui beleza (isso é discussão para outro artigo). A mãe, que se imagina muito religiosa e cheia de fé, preferia ver a filha como uma corrente, arrastando outros homens à impureza e, portanto, ao Inferno, a fazer dela um farol luminoso que aponta para o alto. Pobre mãe que não entende que esse "bullying" na escola seria bendito, seria uma oportunidade maravilhosa de amar Jesus, pois sua filha e ela seriam perseguidas por causa d’Ele (Mt 5, 11). Seria motivo de júbilo, de alegria, de festa (Mt 5, 12). Pobre mãe que entrega sua cria nos braços de Satanás. Pobre mãe que alarga a estrada da perdição para sua criança. Pobre mãe que não faz o papel de mãe, e sim, de um demônio!
         Mulheres, saibam que todos precisamos renunciar a nós mesmos (Lc 9, 23)! Todos, que são cristãos, precisamos crucificar “a carne, as paixões e as concupiscências” (Gl 5, 24), ou seja, o mundo (Gl 6, 14). Não podemos nos conformar com o mundo (Rm 12, 2)! Não podemos ter a mesma medida do mundo! Não podemos ceder à tentação de “sermos iguais” ao mundo! Nós estamos no mundo e não somos do mundo (Jo 17, 16)! Diz Nosso Senhor a você e a mim: Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia” (Jo 15, 18-19). "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).
         Mulheres, reconheçam a sua dignidade! Mulheres, não exponham seus corpos como em açougues! Mulheres, não se deixem usar pelos homens! Mulheres, vençam a si mesmas com o auxílio da graça! Mulheres, sejam firmes e corajosas! Mulheres, brilhem sua luz diante dos homens [3]! 
         Sem esse passo, minha irmã, não será possível crescer na vida espiritual até atingir a “estatura de maturidade de Cristo” (Ef 4, 13), não será possível “emagrecer” para passar pela porta estreita (Lc 13, 24), não será possível ser filha da luz (Jo 12, 36; 1Ts 5, 5) e, em última análise, receber a salvação, se não houver arrependimento.
         Porém, se você se decidir de forma concreta, renunciando a essas roupas provocantes, então se tornará filha de Maria por uma obra real (Jo 19, 27), imitará a Mulher revestida de sol (Ap 12, 1), a Mulher com vestes da luz, da glória e da salvação, e fará parte do “resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12, 17).
         Como sua Mãe do Céu, você, minha irmã, brilhará como “as estrelas, com um perpétuo resplendor” (Dn 12, 3). Deus coloca “diante de ti, a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade” (Dt 30, 19). O que você escolhe? O que você decide? O que você vai fazer?

Referências:
[1] Esse artigo foi endereçado às mulheres em razão de algumas peculiaridades do sexo, mas serviria, guardadas as proporções, para os homens cristãos, que têm caído clamorosamente em matéria de pudor.
[2] Recomendo a leitura da Carta Apostólica Mulieris Dignitatem de São João Paulo II (clique aqui).
[3] "O lugar da modéstia" é um outro jeito de dizer a mesma coisa (clique aqui).

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Igreja Católica precisa de pastores!



O Papa Francisco disse em sua primeira missa crismal como Bispo de Roma uma frase que marcou: “sede pastores com o cheiro das ovelhas”. Queremos, como leigos, ajudar aos nossos pastores, padres e bispos, a vivenciarem bem esse pedido à luz do Bom Pastor (Jo 10, 11), que passou sua vida terrena “fazendo o bem” (At 10, 38) e, agora, sentado à direita de Deus, intercede por nós, para nos levar para a Casa do Pai (Hb 7, 25).

Acreditamos que a melhor forma de obter é mediante a oração. Portanto, reze conosco!

Dai-nos, Senhor, pastores que participem dos momentos de júbilo, como festas de casamento, de batizado, de aniversários, confraternizações no geral, assim como Vós participastes das Bodas de Caná (Jo 2, 1-11).

Dai-nos, Senhor, pastores que estejam presentes nos momentos de dor, como nos velórios, nas casas dos pacientes terminais ou acamados, nos hospitais (enfermarias, UTIs etc.), assim como Vós estivestes no velório da filha de Jairo (Mc 5, 38), no luto de Marta e Maria de Betânia (Jo 11, 21.32), no cortejo fúnebre do filho da viúva de Naim (Lc 7, 13).

Dai-nos, Senhor, pastores que se alegrem com os que estão alegres e chorem com os que choram (Rm 12, 15).

Dai-nos, Senhor, pastores que rezem sem cessar (1Ts 5, 17), considerando que as atividades mais simples devem ser realizadas em espírito de oração (1Cor 10, 31).

Dai-nos, Senhor, pastores que visitem as casas de todos, apesar do anfitrião ser desagradável (Lc 7, 39), ser mal-visto pelos outros (Lc 19, 7).

Dai-nos, Senhor, pastores que sejam pacientes com as crianças e não as afastem da Igreja junto com seus familiares por causa dos choros, pirraças, agitações etc. (Mt 19, 13-14).

Dai-nos, Senhor, pastores que estejam disponíveis para ouvir (Mc 10, 51).

Dai-nos, Senhor, pastores que amem, não “com palavras, nem com a língua, mas por atos e em verdade” (1Jo 3, 18).

Dai-nos, Senhor, pastores que conduzam as ovelhas a Vós, escondido no Santíssimo Sacramento (Jo 6, 51).

Dai-nos, Senhor, pastores que queiram dar de graça o que de graça receberam de Vós (Mt 10, 8).

Dai-nos, Senhor, pastores que ensinem a doutrina dos vossos apóstolos (At 2, 42), tal qual receberam e está contida no Catecismo da Igreja Católica (Magistério, Tradição e Escritura).

Dai-nos, Senhor, pastores que lembrem ao povo a moral dos Dez Mandamentos, tal qual os aperfeiçoamentos feitos por Vós, sobretudo em matéria de trato mútuo (Mt 5, 22) e de pureza (Mt 5, 28).

Dai-nos, Senhor, pastores que queiram agradar a Vós e não aos homens (Gl 1, 10; Ef 6, 6).

Dai-nos, Senhor, pastores que celebrem a Santa Missa (1Cor 11, 23), tal qual receberam de Vós e da vossa Igreja, sem modismos, sem firulas, sem “criatividade selvagem”.

Dai-nos, Senhor, pastores que não cometam o terrível crime do sacrilégio contra o vosso Corpo e o vosso Sangue, atraindo maldições a si e a paróquia, ao comungar em pecado grave sem ter sido confessado (1Cor 11, 27-30).

Dai-nos, Senhor, pastores que gastem tempo ministrando a Confissão (Jo 20, 23), sobretudo para os fiéis da zona rural não contemplados nos horários fixos da zona urbana, assim todos, da roça e da cidade, poderão “louvar a Deus por ter dado tal poder aos homens” (Mt 9, 8).

Dai-nos, Senhor, pastores que sejam misericordiosos e acolham os pecadores de modo que abandonem seus pecados graves, ainda mais quando escandalosos, e fazem outros caírem (Jo 8, 1-11).

Dai-nos, Senhor, pastores que deem a unção aos doentes (Tg 5, 14-15; Mc 6, 13), principalmente quando não têm condições de ir à secretaria paroquial.

Dai-nos, Senhor, pastores que se alegrem mais em dar do que receber (At 20, 35).

Dai-nos, Senhor, pastores que preparem de verdade os jovens para o matrimônio e para a árdua missão de serem família, Igreja doméstica (Ef 5, 25-30).

Dai-nos, Senhor, pastores que rezem por mais pastores (Lc 10, 2) e eduquem novos pastores (Fl 4, 9; 2Tm 2, 1-3).

Dai-nos, Senhor, pastores que joguem fora as “panelinhas”, que dividem vossa Igreja ainda mais por dentro (1Cor 3, 4).

Dai-nos, Senhor, pastores que saibam valorizar os que estão a serviço, mas que vão ao encontro dos que se perderam e lhes restituam a dignidade de filhos de Deus (Lc 15, 31-32).

Dai-nos, Senhor, pastores que se preocupem mais com o templo vivo do Espírito Santo do que com paredes de tijolo, cimento, argamassa, pintura, textura (1Cor 6, 19-20).

Dai-nos, Senhor, pastores que suportem as pequenas faltas das ovelhas, sem se esquecer da correção fraterna quando necessária (Cl 3, 13-16; Mt 18, 15-17).

Dai-nos, Senhor, pastores cheios do Espírito Santo (Ef 5, 18) e que prossigam no caminho decididamente (Fl 3, 16).

Dai-nos, Senhor, pastores que sejam “pescadores de homens” (Lc 5, 10) e não de dinheiro (Mt 6, 24).

Dai-nos, Senhor, pastores que queiram “ser tudo para todos” (1Cor 9, 22).

Dai-nos, Senhor, pastores sem vida própria (Mt 16, 24), então vazios de si (Fl 3, 8), poderão oferecer a presença de Outro (Gl 2, 20; At 19, 11).

Dai-nos, Senhor, pastores que calculem o sobredito sem esquecer de somar com Mateus 25, 31-46.

Dai-nos, Senhor, pastores que apascentem as ovelhas, livrando-as dos lobos (Jo 10, 12) e as conduzam às pastagens verdejantes do Reino dos Céus (Fl 3, 20).

Afinal, Senhor, de que adianta os pastores ganharem o mundo inteiro se vierem a perder as suas almas? (Mc 8, 36). Bendito sejais porque já nos ouvistes. Amém. 

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Irmãos, a verdade é: essa lista de preces poderia ser muito maior e cada vez mais detalhada em pormenores. Aos homens de carne e osso, é impossível cumpri-la, ainda que seja no primeiro item. Somente com o Bom Pastor é possível realizá-la por meio da graça que supõe e aperfeiçoa a natureza (Jo 15, 5; 2Cor 12, 9). Apenas em estado de graça haverá um rio de água viva (Jo 7, 38) no coração do padre/do bispo. Caso contrário, ele será tudo, menos o pastor conforme o coração de Deus (Jr 3, 15). Com Nosso Senhor, o fardo e o jugo serão leves (Mt 11, 28-30) e receberão, já agora, cem vezes mais do que renunciaram, com perseguições, e depois a recompensa eterna no Céu (Mc 10, 30).

PS. Não podemos nos esquecer que o Papa Francisco também insiste muito na questão do bem possível, isto é, Deus não nos exige coisas impossíveis. Tudo que podemos dar é o que devemos dar. Se só cobramos os nossos pastores e não colaboramos na missão, imitamos a “justiça” dos fariseus: atam fardos pesados sobre os ombros dos outros e eles mesmos não os moviam sequer com o dedo (Mt 23, 4). Nosso Senhor mal tinha tempo para se alimentar e, quando tentou fazer um retiro com os discípulos esgotados, não conseguiu, pois “viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não tem pastor” (Mc 6, 34). Como ovelhas do aprisco do Bom Pastor, ajudemos os nossos pastores a fazerem o possível com o nosso possível!

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Francisco: Quem ostenta pecados públicos não pode dar catequese ou pregar!


“Se for rejeitar os pecadores como catequistas, não vai sobrar ninguém!” – ouvi isso de alguém que defendia a aceitação de pessoas que vivem em situação objetiva de pecado mortal como catequistas.
É uma boa frase de impacto, que pode convencer os menos advertidos. Mas é totalmente superficial e enganosa.
Uma coisa é um pecador que, a cada queda, rejeita o pecado e retoma o caminho de santidade, fortalecendo-se nos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Outra coisa bem diferente é estar em constante situação de pecado mortal e público, sem se desvencilhar dessa situação – o que lhe impede até mesmo de receber a Sagrada Comunhão.
O que é viver em pecado mortal e público? É a pessoa que, mesmo sabendo que a doutrina da Igreja condena a moralidade de seu modo de vida, decide (por motivos que só Deus pode julgar) seguir vivendo nesse mesmo estado. Soma-se a isso o fato de que se trata de um modo de vida assumido publicamente.
Para falar dos casos mais comuns de pecados graves e públicos, podemos citar:
  • os casais em segunda união (pessoas que, sendo casadas na Igreja, se divorciaram e se uniram a outra pessoa);
  • pessoas solteiras que vivem amasiadas;
  • homossexuais que não vivem a castidade e se relacionam com pessoas do mesmo sexo.
As portas e o coração da Igreja e de todos os cristãos devem estar escancaradas para essas pessoas, que são bem-vindas nas mais diversas atividades das paróquias: reuniões de oração, estudos bíblicos, palestras de formação espiritual, ações de caridade, direção espiritual com o padre ou diácono e no serviço às mais diversas pastorais.
Parece-me muito razoável que as pessoas em situação matrimonial irregular atuem (até mesmo em funções de liderança) nas pastorais carcerária, do dízimo, do teatro, da saúde, da criança, da música etc.
Porém, é problemático que assumam funções de catequese e pregação. Seria como passar a seguinte mensagem aos catecúmenos: “A Igreja prega isso e isso sobre moral sexual. Mas não é tão sério assim, porque, vejam, seu catequista vive o contrário disso e está aí, pregando para você. E está tudo bem!”.
Ou alguém aí acha que seria uma boa ideia ter uma casal em situação matrimonial irregular na coordenação do ECC - Encontro de Casais com Cristo? E que tal seria um homem em segunda união ser ordenado diácono?
Um catequista que vive em situação matrimonial irregular é como um personal trainer magricelo e flácido. Ele tem a missão de te motivar a pegar pesado nos exercícios e a ter disciplina com a alimentação. Ele até faz isso... Mas só com palavras! Pois, quando você olha para o seu estilo de vida e imagem, vê imediatamente o abismo entre o que ele prega e o que ele pratica.
A regra é simples: os que vivem em situação objetiva de pecado mortal “devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis, evitando toda a ocasião de escândalo” (Amoris Laetitia, 299). Ou seja, integração SIM, desde que o serviço eclesial assumido não seja motivo de escândalo
Acho que a lógica deveria bastar e sobrar para provar o que estamos dizendo. Mas, para quem é viciado em pedir documentos, vamos lá...
Catecismo aborda a questão de forma bem genérica, mas já delineia a existência de uma limitação sobre as funções que pessoas em segunda união podem assumir na Igreja:
Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. (CIC, 1650)
Já sabemos que não podem “exercer certas responsabilidades eclesiais”. Mas quais seriam essas responsabilidades? O Papa Francisco dá nome aos bois:
Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objecto duma misericórdia «imerecida, incondicional e gratuita». Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Não me refiro só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem. Obviamente, se alguém ostenta um pecado objectivo como se fizesse parte do ideal cristão ou quer impor algo diferente do que a Igreja ensina, não pode pretender dar catequese ou pregar e, neste sentido, há algo que o separa da comunidade (cf. Mt 18, 17). Precisa de voltar a ouvir o anúncio do Evangelho e o convite à conversão. Mas, mesmo para esta pessoa, pode haver alguma maneira de participar na vida da comunidade, quer em tarefas sociais, quer em reuniões de oração, quer na forma que lhe possa sugerir a sua própria iniciativa discernida juntamente com o pastor.
- Amoris Laetitia, 297
É fundamental esclarecer que o católico divorciado que vive castamente pode ser catequista, sem problemas. Especialmente quando não foi o causador do divórcio, e fez de tudo para manter o casamento.
A ação pastoral justa e misericordiosa se alcança por meio de um equilíbrio que só a graça do Espírito Santo pode nos dar. Ao rejeitar o farisaísmo, não podemos cair no erro oposto: o jujubismo.
Extraído d'O Catequista

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Cardeal Müller recorda a fé


 
Declaração de Fé
“Não se perturbe o vosso coração!” (Jo 14, 1)

Diante de uma confusão cada vez mais generalizada no ensino da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica pediram-me para dar testemunho público da verdade da Revelação. A tarefa dos pastores é guiar os homens que lhes são confiados pelo caminho da salvação, e isso só pode acontecer se tal caminho for conhecido e se eles forem os primeiros a percorrê-lo. A esse respeito, o Apóstolo advertiu: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi” (1Cor 15, 3). Hoje, muitos cristãos nem sequer conhecem os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrarem o caminho que leva à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua a ser levar as pessoas a Jesus Cristo, a luz dos gentios (cf. LG 1). Nesta situação, alguém se pergunta como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensino da fé” (Fidei Depositum IV). Foi escrito para fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé posta à prova pela “ditadura do relativismo”[1].

1. Deus uno e trino, revelado em Jesus Cristo
O epítome da fé de todos os cristãos reside na confissão da Santíssima Trindade. Nós tornamo-nos discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus, através do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental na fé em Deus e na imagem do homem em relação às outras religiões. Reconhecido Jesus Cristo, os fantasmas desaparecem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado no ventre da Virgem Maria pela obra do Espírito Santo. O Verbo feito carne, o Filho de Deus é o único Salvador do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Por esta razão, a primeira carta de João refere-se àquele que nega a sua divindade como o anticristo (1Jo 2, 22), visto que Jesus Cristo, Filho de Deus, desde a eternidade é um único ser com Deus, seu Pai (663). É com clara determinação que é necessário enfrentar o reaparecimento de antigas heresias que em Jesus Cristo viam apenas uma boa pessoa, um irmão e um amigo, um profeta e um exemplo de vida moral. Ele é, antes de tudo, a Palavra que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que tomou a nossa natureza humana para nos redimir e que virá para julgar os vivos e os mortos. Só a Ele adoramos em união com o Pai e o Espírito Santo como o único e verdadeiro Deus (691).

2. A Igreja
Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Ele deu à sua Igreja, que “nasceu do coração trespassado de Cristo morto na cruz” (766), uma estrutura sacramental que permanecerá até ao pleno cumprimento do Reino (765). Cristo, cabeça, e os crentes como membros do corpo são uma pessoa mística (795), por essa razão a Igreja é santa, visto que Cristo, o único mediador, a estabeleceu na terra como um organismo visível e continuamente a apoia (771). Por meio dela, a obra redentora de Cristo torna-se presente no tempo e no espaço com a celebração dos Santos Sacramentos, especialmente no Sacrifício Eucarístico, a Santa Missa (1330). Com a autoridade de Cristo, a Igreja transmite a revelação divina, “que se estende a todos os elementos da doutrina, incluindo a moral, sem a qual as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas ou observadas” (2035).

3. A Ordem sacramental
A Igreja é em Jesus Cristo o sacramento universal da salvação (776). Ela não se reflete a si mesma, mas a luz de Cristo, que resplandece no rosto, e isso só acontece quando o ponto de referência não é a opinião da maioria, nem o espírito dos tempos, mas a verdade revelada em Jesus Cristo, que confiou à Igreja Católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos Sacramentos da Igreja.
A Igreja não é uma associação criada pelo homem, cuja estrutura pode ser modificada pelos seus membros à vontade: é de origem divina. “O próprio Cristo é a origem do ministério na Igreja. Ele instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e fim” (874). A admoestação do Apóstolo ainda é válida hoje, segundo a qual é amaldiçoado alguém que proclama outro Evangelho, “nós mesmos, ou um anjo do céu” (Gl 1, 8). A mediação da fé está intrinsecamente ligada à credibilidade humana dos seus pregadores: em alguns casos, abandonaram aqueles que lhes haviam sido confiados, perturbando-os e prejudicando seriamente a sua fé. Para eles cumpre-se a palavra da Escritura: “virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos” (2 Tm 4,3-4).
A tarefa do Magistério da Igreja para com o povo de Deus é “protegê-lo de desvios e falhas” para que possa “professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente verdadeiro em relação aos sete sacramentos. A Sagrada Eucaristia é “a fonte e o cume de toda a vida cristã” (1324). O Sacrifício Eucarístico, em que Cristo nos envolve no sacrifício da cruz, visa a união mais íntima com Ele (1382). Por isso, a Sagrada Escritura alerta para as condições para receber a Sagrada Comunhão: “Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1Cor 11, 27) e, em seguida, “Quem está ciente de que cometeu um pecado grave, deve receber o sacramento da Reconciliação antes de receber a Comunhão” (1385). Da lógica subjacente ao sacramento percebe-se que os divorciados e recasados ​​civilmente, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido, bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente preparados, não recebem a Sagrada Eucaristia frutiferamente (1457), porque deste modo não os leva à salvação. Realçá-lo, corresponde a uma obra de misericórdia espiritual.
O reconhecimento dos pecados na Santa Confissão, pelo menos uma vez por ano, é um dos preceitos da Igreja (2042). Quando os crentes já não confessam os seus pecados recebendo a absolvição, a salvação trazida por Cristo torna-se vã, pois Ele fez-se homem para nos redimir dos nossos pecados. O poder do perdão, que o Ressuscitado conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores no Episcopado e no Sacerdócio, restaura os pecados graves e veniais cometidos depois do Batismo. A prática atual da confissão mostra que a consciência dos crentes não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus é-nos dada para que possamos cumprir os seus Mandamentos para nos conformarmos à sua santa vontade e não para evitar o chamamento à conversão (1458).
“É o sacerdote que continua a obra da redenção na terra” (1589). A ordenação, que confere ao sacerdote “um poder sagrado” (1592), é insubstituível porque, através dele, Jesus torna-se sacramentalmente presente na sua ação salvadora. Os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “um sinal dessa nova vida” (1579). Trata-se da entrega de si para o serviço de Cristo e do Seu Reino vindouro. A fim de conferir a ordenação validamente nos três graus do Sacramento, a Igreja reconhece-se como limite para a escolha feita pelo próprio Senhor, “por esta razão a ordenação de mulheres não é possível” (1577). A este respeito, falar de discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma incompreensão deste Sacramento, que não diz respeito a um poder terrestre, mas à representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral
Fé e vida são inseparáveis, porque a fé sem as obras feitas no Senhor é morta (1815). A lei moral é o trabalho da sabedoria divina e leva o homem à beatitude prometida (1950). Consequentemente, a “lei divina e natural mostra ao homem o caminho a seguir para fazer o bem e alcançar o seu objetivo” (1955). A sua observância é necessária para que todas as pessoas de boa vontade alcancem a salvação eterna. De fato, aquele que morre em pecado mortal sem arrependimento permanecerá para sempre separado de Deus (1033). Isto implica consequências práticas na vida dos cristãos, entre as quais é oportuno recordar aquelas que hoje são mais frequentemente negligenciadas (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é um fardo, mas faz parte dessa verdade libertadora (cf. Jo 8, 32), através da qual o cristão caminha no caminho da salvação e não deve ser relativizada.

5. Vida Eterna
Muitos hoje perguntam porquê a Igreja ainda existe se os próprios bispos preferem agir como políticos, em vez de mestres da fé e proclamar o Evangelho. O olho não se deve deter em questões secundárias, mas é mais necessário do que nunca para a Igreja assumir a sua própria tarefa. Todo o ser humano tem uma alma imortal, que na sua morte é separada do corpo, mas com a esperança da ressurreição dos mortos (366). A morte toma a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todos terão que enfrentar o juízo pessoal imediatamente após a morte (1021): ou será necessária uma purificação ou o homem irá diretamente para a felicidade celestial e será permitido contemplar Deus face-a-face. Mas há também a terrível possibilidade de que uma pessoa, até ao fim, permaneça em contradição com Deus: rejeitando definitivamente o seu amor, “chorará imediatamente para sempre” (1022). “Deus, que nos criou sem nós, não nos quis salvar sem nós” (1847). A eternidade da punição do Inferno é uma realidade terrível, que, de acordo com o testemunho das Sagradas Escrituras, diz respeito a todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão atravessa a porta estreita, “porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele” (Mt 7, 13). Manter em silêncio estas e outras verdades da fé ou ensinar o oposto é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte vigorosamente. Esta representa a última prova da Igreja, ou “uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para os seus problemas, ao preço da apostasia da verdade” (675). É o engano do Anticristo, que vem “com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2Ts 2, 10).

Apelo
Como trabalhadores na vinha do Senhor, todos nós temos a responsabilidade de recordar estas verdades básicas que se agarram ao que nós mesmos recebemos. Queremos dar coragem para percorrer o caminho de Jesus Cristo com determinação, a fim de obter a vida eterna seguindo os Seus mandamentos (2075).
Pedimos ao Senhor que nos deixe saber quão grande é o dom da fé católica, através do qual a porta para a vida eterna é aberta. “Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos em fortalecer a fé confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo.
O aviso que Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá ao seu colaborador e sucessor Timóteo é dirigido particularmente a nós, bispos e padres. Ele escreveu: “Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, peço-te encarecidamente, pela sua vinda e pelo seu Reino: proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência. Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

Que Maria, Mãe de Deus, implore a graça de nos apegarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar.
Unidos na fé e na oração,

Gerhard Cardeal Müller
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017

[1] Os números que aparecem no texto correspondem ao Catecismo da Igreja Católica.