quarta-feira, 5 de junho de 2019

Francisco: Quem ostenta pecados públicos não pode dar catequese ou pregar!


“Se for rejeitar os pecadores como catequistas, não vai sobrar ninguém!” – ouvi isso de alguém que defendia a aceitação de pessoas que vivem em situação objetiva de pecado mortal como catequistas.
É uma boa frase de impacto, que pode convencer os menos advertidos. Mas é totalmente superficial e enganosa.
Uma coisa é um pecador que, a cada queda, rejeita o pecado e retoma o caminho de santidade, fortalecendo-se nos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Outra coisa bem diferente é estar em constante situação de pecado mortal e público, sem se desvencilhar dessa situação – o que lhe impede até mesmo de receber a Sagrada Comunhão.
O que é viver em pecado mortal e público? É a pessoa que, mesmo sabendo que a doutrina da Igreja condena a moralidade de seu modo de vida, decide (por motivos que só Deus pode julgar) seguir vivendo nesse mesmo estado. Soma-se a isso o fato de que se trata de um modo de vida assumido publicamente.
Para falar dos casos mais comuns de pecados graves e públicos, podemos citar:
  • os casais em segunda união (pessoas que, sendo casadas na Igreja, se divorciaram e se uniram a outra pessoa);
  • pessoas solteiras que vivem amasiadas;
  • homossexuais que não vivem a castidade e se relacionam com pessoas do mesmo sexo.
As portas e o coração da Igreja e de todos os cristãos devem estar escancaradas para essas pessoas, que são bem-vindas nas mais diversas atividades das paróquias: reuniões de oração, estudos bíblicos, palestras de formação espiritual, ações de caridade, direção espiritual com o padre ou diácono e no serviço às mais diversas pastorais.
Parece-me muito razoável que as pessoas em situação matrimonial irregular atuem (até mesmo em funções de liderança) nas pastorais carcerária, do dízimo, do teatro, da saúde, da criança, da música etc.
Porém, é problemático que assumam funções de catequese e pregação. Seria como passar a seguinte mensagem aos catecúmenos: “A Igreja prega isso e isso sobre moral sexual. Mas não é tão sério assim, porque, vejam, seu catequista vive o contrário disso e está aí, pregando para você. E está tudo bem!”.
Ou alguém aí acha que seria uma boa ideia ter uma casal em situação matrimonial irregular na coordenação do ECC - Encontro de Casais com Cristo? E que tal seria um homem em segunda união ser ordenado diácono?
Um catequista que vive em situação matrimonial irregular é como um personal trainer magricelo e flácido. Ele tem a missão de te motivar a pegar pesado nos exercícios e a ter disciplina com a alimentação. Ele até faz isso... Mas só com palavras! Pois, quando você olha para o seu estilo de vida e imagem, vê imediatamente o abismo entre o que ele prega e o que ele pratica.
A regra é simples: os que vivem em situação objetiva de pecado mortal “devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis, evitando toda a ocasião de escândalo” (Amoris Laetitia, 299). Ou seja, integração SIM, desde que o serviço eclesial assumido não seja motivo de escândalo
Acho que a lógica deveria bastar e sobrar para provar o que estamos dizendo. Mas, para quem é viciado em pedir documentos, vamos lá...
Catecismo aborda a questão de forma bem genérica, mas já delineia a existência de uma limitação sobre as funções que pessoas em segunda união podem assumir na Igreja:
Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. (CIC, 1650)
Já sabemos que não podem “exercer certas responsabilidades eclesiais”. Mas quais seriam essas responsabilidades? O Papa Francisco dá nome aos bois:
Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objecto duma misericórdia «imerecida, incondicional e gratuita». Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Não me refiro só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem. Obviamente, se alguém ostenta um pecado objectivo como se fizesse parte do ideal cristão ou quer impor algo diferente do que a Igreja ensina, não pode pretender dar catequese ou pregar e, neste sentido, há algo que o separa da comunidade (cf. Mt 18, 17). Precisa de voltar a ouvir o anúncio do Evangelho e o convite à conversão. Mas, mesmo para esta pessoa, pode haver alguma maneira de participar na vida da comunidade, quer em tarefas sociais, quer em reuniões de oração, quer na forma que lhe possa sugerir a sua própria iniciativa discernida juntamente com o pastor.
- Amoris Laetitia, 297
É fundamental esclarecer que o católico divorciado que vive castamente pode ser catequista, sem problemas. Especialmente quando não foi o causador do divórcio, e fez de tudo para manter o casamento.
A ação pastoral justa e misericordiosa se alcança por meio de um equilíbrio que só a graça do Espírito Santo pode nos dar. Ao rejeitar o farisaísmo, não podemos cair no erro oposto: o jujubismo.
Extraído d'O Catequista

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Cardeal Müller recorda a fé


 
Declaração de Fé
“Não se perturbe o vosso coração!” (Jo 14, 1)

Diante de uma confusão cada vez mais generalizada no ensino da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica pediram-me para dar testemunho público da verdade da Revelação. A tarefa dos pastores é guiar os homens que lhes são confiados pelo caminho da salvação, e isso só pode acontecer se tal caminho for conhecido e se eles forem os primeiros a percorrê-lo. A esse respeito, o Apóstolo advertiu: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi” (1Cor 15, 3). Hoje, muitos cristãos nem sequer conhecem os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrarem o caminho que leva à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua a ser levar as pessoas a Jesus Cristo, a luz dos gentios (cf. LG 1). Nesta situação, alguém se pergunta como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensino da fé” (Fidei Depositum IV). Foi escrito para fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé posta à prova pela “ditadura do relativismo”[1].

1. Deus uno e trino, revelado em Jesus Cristo
O epítome da fé de todos os cristãos reside na confissão da Santíssima Trindade. Nós tornamo-nos discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus, através do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental na fé em Deus e na imagem do homem em relação às outras religiões. Reconhecido Jesus Cristo, os fantasmas desaparecem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado no ventre da Virgem Maria pela obra do Espírito Santo. O Verbo feito carne, o Filho de Deus é o único Salvador do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Por esta razão, a primeira carta de João refere-se àquele que nega a sua divindade como o anticristo (1Jo 2, 22), visto que Jesus Cristo, Filho de Deus, desde a eternidade é um único ser com Deus, seu Pai (663). É com clara determinação que é necessário enfrentar o reaparecimento de antigas heresias que em Jesus Cristo viam apenas uma boa pessoa, um irmão e um amigo, um profeta e um exemplo de vida moral. Ele é, antes de tudo, a Palavra que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que tomou a nossa natureza humana para nos redimir e que virá para julgar os vivos e os mortos. Só a Ele adoramos em união com o Pai e o Espírito Santo como o único e verdadeiro Deus (691).

2. A Igreja
Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Ele deu à sua Igreja, que “nasceu do coração trespassado de Cristo morto na cruz” (766), uma estrutura sacramental que permanecerá até ao pleno cumprimento do Reino (765). Cristo, cabeça, e os crentes como membros do corpo são uma pessoa mística (795), por essa razão a Igreja é santa, visto que Cristo, o único mediador, a estabeleceu na terra como um organismo visível e continuamente a apoia (771). Por meio dela, a obra redentora de Cristo torna-se presente no tempo e no espaço com a celebração dos Santos Sacramentos, especialmente no Sacrifício Eucarístico, a Santa Missa (1330). Com a autoridade de Cristo, a Igreja transmite a revelação divina, “que se estende a todos os elementos da doutrina, incluindo a moral, sem a qual as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas ou observadas” (2035).

3. A Ordem sacramental
A Igreja é em Jesus Cristo o sacramento universal da salvação (776). Ela não se reflete a si mesma, mas a luz de Cristo, que resplandece no rosto, e isso só acontece quando o ponto de referência não é a opinião da maioria, nem o espírito dos tempos, mas a verdade revelada em Jesus Cristo, que confiou à Igreja Católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos Sacramentos da Igreja.
A Igreja não é uma associação criada pelo homem, cuja estrutura pode ser modificada pelos seus membros à vontade: é de origem divina. “O próprio Cristo é a origem do ministério na Igreja. Ele instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e fim” (874). A admoestação do Apóstolo ainda é válida hoje, segundo a qual é amaldiçoado alguém que proclama outro Evangelho, “nós mesmos, ou um anjo do céu” (Gl 1, 8). A mediação da fé está intrinsecamente ligada à credibilidade humana dos seus pregadores: em alguns casos, abandonaram aqueles que lhes haviam sido confiados, perturbando-os e prejudicando seriamente a sua fé. Para eles cumpre-se a palavra da Escritura: “virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos” (2 Tm 4,3-4).
A tarefa do Magistério da Igreja para com o povo de Deus é “protegê-lo de desvios e falhas” para que possa “professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente verdadeiro em relação aos sete sacramentos. A Sagrada Eucaristia é “a fonte e o cume de toda a vida cristã” (1324). O Sacrifício Eucarístico, em que Cristo nos envolve no sacrifício da cruz, visa a união mais íntima com Ele (1382). Por isso, a Sagrada Escritura alerta para as condições para receber a Sagrada Comunhão: “Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1Cor 11, 27) e, em seguida, “Quem está ciente de que cometeu um pecado grave, deve receber o sacramento da Reconciliação antes de receber a Comunhão” (1385). Da lógica subjacente ao sacramento percebe-se que os divorciados e recasados ​​civilmente, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido, bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente preparados, não recebem a Sagrada Eucaristia frutiferamente (1457), porque deste modo não os leva à salvação. Realçá-lo, corresponde a uma obra de misericórdia espiritual.
O reconhecimento dos pecados na Santa Confissão, pelo menos uma vez por ano, é um dos preceitos da Igreja (2042). Quando os crentes já não confessam os seus pecados recebendo a absolvição, a salvação trazida por Cristo torna-se vã, pois Ele fez-se homem para nos redimir dos nossos pecados. O poder do perdão, que o Ressuscitado conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores no Episcopado e no Sacerdócio, restaura os pecados graves e veniais cometidos depois do Batismo. A prática atual da confissão mostra que a consciência dos crentes não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus é-nos dada para que possamos cumprir os seus Mandamentos para nos conformarmos à sua santa vontade e não para evitar o chamamento à conversão (1458).
“É o sacerdote que continua a obra da redenção na terra” (1589). A ordenação, que confere ao sacerdote “um poder sagrado” (1592), é insubstituível porque, através dele, Jesus torna-se sacramentalmente presente na sua ação salvadora. Os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “um sinal dessa nova vida” (1579). Trata-se da entrega de si para o serviço de Cristo e do Seu Reino vindouro. A fim de conferir a ordenação validamente nos três graus do Sacramento, a Igreja reconhece-se como limite para a escolha feita pelo próprio Senhor, “por esta razão a ordenação de mulheres não é possível” (1577). A este respeito, falar de discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma incompreensão deste Sacramento, que não diz respeito a um poder terrestre, mas à representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral
Fé e vida são inseparáveis, porque a fé sem as obras feitas no Senhor é morta (1815). A lei moral é o trabalho da sabedoria divina e leva o homem à beatitude prometida (1950). Consequentemente, a “lei divina e natural mostra ao homem o caminho a seguir para fazer o bem e alcançar o seu objetivo” (1955). A sua observância é necessária para que todas as pessoas de boa vontade alcancem a salvação eterna. De fato, aquele que morre em pecado mortal sem arrependimento permanecerá para sempre separado de Deus (1033). Isto implica consequências práticas na vida dos cristãos, entre as quais é oportuno recordar aquelas que hoje são mais frequentemente negligenciadas (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é um fardo, mas faz parte dessa verdade libertadora (cf. Jo 8, 32), através da qual o cristão caminha no caminho da salvação e não deve ser relativizada.

5. Vida Eterna
Muitos hoje perguntam porquê a Igreja ainda existe se os próprios bispos preferem agir como políticos, em vez de mestres da fé e proclamar o Evangelho. O olho não se deve deter em questões secundárias, mas é mais necessário do que nunca para a Igreja assumir a sua própria tarefa. Todo o ser humano tem uma alma imortal, que na sua morte é separada do corpo, mas com a esperança da ressurreição dos mortos (366). A morte toma a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todos terão que enfrentar o juízo pessoal imediatamente após a morte (1021): ou será necessária uma purificação ou o homem irá diretamente para a felicidade celestial e será permitido contemplar Deus face-a-face. Mas há também a terrível possibilidade de que uma pessoa, até ao fim, permaneça em contradição com Deus: rejeitando definitivamente o seu amor, “chorará imediatamente para sempre” (1022). “Deus, que nos criou sem nós, não nos quis salvar sem nós” (1847). A eternidade da punição do Inferno é uma realidade terrível, que, de acordo com o testemunho das Sagradas Escrituras, diz respeito a todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão atravessa a porta estreita, “porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele” (Mt 7, 13). Manter em silêncio estas e outras verdades da fé ou ensinar o oposto é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte vigorosamente. Esta representa a última prova da Igreja, ou “uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para os seus problemas, ao preço da apostasia da verdade” (675). É o engano do Anticristo, que vem “com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2Ts 2, 10).

Apelo
Como trabalhadores na vinha do Senhor, todos nós temos a responsabilidade de recordar estas verdades básicas que se agarram ao que nós mesmos recebemos. Queremos dar coragem para percorrer o caminho de Jesus Cristo com determinação, a fim de obter a vida eterna seguindo os Seus mandamentos (2075).
Pedimos ao Senhor que nos deixe saber quão grande é o dom da fé católica, através do qual a porta para a vida eterna é aberta. “Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos em fortalecer a fé confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo.
O aviso que Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá ao seu colaborador e sucessor Timóteo é dirigido particularmente a nós, bispos e padres. Ele escreveu: “Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, peço-te encarecidamente, pela sua vinda e pelo seu Reino: proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência. Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

Que Maria, Mãe de Deus, implore a graça de nos apegarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar.
Unidos na fé e na oração,

Gerhard Cardeal Müller
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017

[1] Os números que aparecem no texto correspondem ao Catecismo da Igreja Católica.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Top 10 da espiritualidade católica



A nossa equipe preparou uma lista contendo os dez livros de espiritualidade indispensáveis para os católicos começarem muito bem o ano de 2019. Sabemos que a “repugnância” em ler é um problema cultural do Brasil, tanto que há menos de cinco anos 70% da população não abriu um livro sequer. Esse é um sinal evidente da degradação educacional que nos assola. Mas acreditamos em dias melhores e, levando em conta esse quadro social, elaboramos a lista, pensando em obras com linguagem simples, clara e, ao mesmo tempo, profunda, pois toca os corações mais endurecidos. Para isso é preciso dar o primeiro passo.

A Bíblia não entrará na contagem, pois de fato é “o Livro dos livros”. Como diz São Jerônimo, o primeiro tradutor bíblico para o latim, quem ignora a Sagrada Escritura, ignora o Cristo. Pe. Paulo Ricardo numa aula ao vivo explica a relação entre a Bíblia e a Igreja Católica após uma polêmica envolvendo Dom Henrique Soares e Silas Malafaia (clique aqui). Para conferir o nosso roteiro ou método de leitura com as sugestões de por onde começar, acesse-o clicando aqui. Quem quiser conhecer o “salário-mínimo” da fé católica, não pode deixar de ler esse artigo do nosso apostolado (clique aqui).



Feitas essas considerações, podemos passar à lista dos "top 10", cujo objetivo é cultivar a espiritualidade católica. Em matéria de doutrina, demos nossa contribuição ao escrever o "Tirando o ano do laicato do papel" (clique aqui). E, tendo em vista as dificuldades linguísticas que as pessoas encontram na leitura dos documentos oficiais da Igreja, mesmo os mais fáceis, concluímos o "Breve curso de catequese" que pode ser acessado, clicando aqui.

1º - A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja.

2º - A misericórdia divina em minha alma (diário) - Santa Faustina Kowalska, vidente de Jesus Misericordioso.

3º - O Segredo do Rosário - São Luís Maria Grignion de Montfort. 

4º - O Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Maria - São Luís Maria Grignion de Montfort.

5º - Memórias - Irª. Lúcia, vidente de Fátima.

6º - Imitação de Maria - Autor desconhecido, monge.

7º - Preparação para a morte - Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja.

8º - 25 Minutos - Franz Coriasco, biógrafo da beata Chiara Luce Badano.

9º - Imitação de Cristo - Tomás de Kempis, monge.

10º - Filoteia - São Francisco de Sales, Bispo e Doutor da Igreja.

Nós recomendamos esses livros necessariamente nessa ordem. A maioria deles pode ser baixada na Internet. Lembrando que foram escritos para serem meditados, isto é, degustados a conta-gotas. Não se deve lê-los num fôlego só. Eles pedem uma leitura pausada... no máximo, três páginas por dia.

Após o "top 10", poderíamos fazer outra lista... não deixe faltar em sua estante: Um olhar que cura - Pe. Paulo Ricardo (expõe as doenças espirituais e como tratá-las... é um manual popular de ascese cristã) e O banquete do Cordeiro - Scott Hahn (evidencia como a Santa Missa é o cumprimento do Apocalipse). A dica infalível é ler todo livro assinado por um santo reconhecido pela Igreja... e dedicar também um tempo a conhecer as biografias dos santos (os filmes podem facilitar o percurso). Agora é por sua conta! Tolle et lege!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Atração pelo mesmo sexo e vocação sacerdotal


Muitas pessoas nos enviam questionamentos relacionados à vocação sacerdotal e qual é a orientação da Igreja para pessoas com AMS (atração pelo mesmo sexo). No intuito de apresentar esclarecimentos nesse sentido, começamos com esta entrevista de Daniel C. Mattson. Dan é católico, tem atração pelo mesmo sexo e é membro de nosso apostolado. Ele é uma das três pessoas que dão seu testemunho de vida em nosso filme Desejo das Colinas Eternas. Também é autor do livro Why I Don't Call Myself Gay: How I Reclaimed My Sexual Reality and Found Peace” (Por que não chamo a mim mesmo de gay: como recuperei minha identidade sexual e encontrei a paz). O seguinte artigo foi traduzido por nossos amigos da página O Catequista, e pode ser encontrado aqui.

POR QUE HOMENS COMO EU NÃO DEVEM SER PADRES?
Por: Daniel C. Mattson


Daniel C. Mattson


Eu sou o tipo de homem que a Igreja Católica diz que não deveria ser um padre. Eu experimento o que o Vaticano chama de “tendências homossexuais arraigadas”, que, segundo a Igreja, me tornam um candidato inadequado ao sacerdócio. (...)
Eu não me ofendo com este ensinamento. Na verdade, eu concordo com isso. Estou convencido de que, se a Igreja tivesse seguido seu próprio conselho em 1961 e 2005, não nos arrependeríamos das manchetes chocantes de hoje: “Vítimas relatam horrores de abuso sexual no seminário chileno”; “Seminaristas hondurenhos alegam má conduta homossexual generalizada”; “Policiais do Vaticano flagram orgias homossexuais movidas a drogas em casa do assessor de cardeal”; “O homem diz que o cardeal McCarrick, seu 'tio Ted,' abusou sexualmente dele”. A maioria dos horríveis abusos detalhados no relatório do Grande Júri da Pensilvânia envolveu rapazes e rapazes adolescentes. Isso não é pedofilia.
O que une todos esses escândalos é a homossexualidade em nossos seminários e no sacerdócio: o resultado da Igreja ignorando suas próprias diretivas claras. Se for séria em acabar com os escândalos sexuais, a Igreja precisa admitir que tem um problema de padres homossexuais e parar de ordenar homens com tendências homossexuais profundas. O primeiro escândalo do "Tio Ted" foi "Tio Ted" se tornando padre.
Eu abordo o assunto com receio. Estou convencido de que a maioria dos padres homossexuais são homens bons e santos. Um exemplo de muitos que conheço é um padre que serve como capelão de hospital. Ele acompanha regularmente as famílias através da dor do trauma físico, da doença e da morte de entes queridos. Ele tem um carisma especial para os homens que morrem com AIDS, o que é certo que vem de seu amor por outros com tendências homossexuais arraigadas como ele. Ele ajudou muitos deles a se reconciliarem com Cristo antes da morte.
Então eu concordo com o aviso do Bispo Barron sobre os perigos de fazer de bodes expiatórios os que, como eu, têm atração por homens. Mas reconhecer o papel avassalador que a homossexualidade desempenhou em muitos de nossos escândalos passados ​​e presentes não é um bode expiatório. É a Igreja confrontando a verdade.
O arcebispo Charles Chaput, comentando o documento de 2005, escreveu: “Embora persistentes tendências homossexuais nunca impeçam a santidade pessoal – homossexuais e heterossexuais têm o mesmo chamado cristão à castidade, de acordo com seu estado de vida – eles tornam a vocação de serviço sacerdotal muito mais difícil”. Pela minha experiência pessoal, acredito que haja muitas razões para que isso aconteça, mas aqui vou me concentrar apenas em duas, diretamente relacionadas à falta de castidade.
A primeira razão é que homens com tendências homossexuais acham particularmente difícil viver as exigências da castidade. A grande maioria dos escândalos na Igreja desde 2002 envolve padres homossexuais que falham profundamente na castidade. Isso não é surpresa para mim. A castidade, estou convencido (e a evidência confirma isso), é muito mais difícil para os homens com uma inclinação homossexual do que para os outros.
Pe. James Lloyd, C.S.P., um padre com PhD em psicologia da NYU, trabalhou com homens homossexuais (incluindo padres) por mais de 30 anos como psicólogo clínico. Sobre o tema dos padres de castidade e homossexuais, ele diz: "Está claro o suficiente, a partir de evidências clínicas, que a energia psíquica necessária para conter impulsos homossexuais é muito maior do que a necessária para o heterossexual desviado".
Como muitos homens atraídos pelo mesmo sexo, às vezes, compulsivamente, me envolvo em comportamento anônimo arriscado com outros homens. Se eu fosse padre, meu pecado teria sido agravado por cometer um horrível abuso contra alguém por quem eu deveria ter sido um pai espiritual. (...)
O segundo problema está diretamente ligado ao primeiro. Se um padre não está cumprindo os ensinamentos da Igreja em sua própria vida, ele não ensinará seus paroquianos a seguir um ensinamento que ele não acredita que se aplica a ele. Assim, um grave problema com os padres homossexuais é o alto número de pessoas que não concordam com o ensinamento da Igreja sobre a moralidade sexual e, secretamente (ou abertamente), minam esse ensinamento, tanto no púlpito quanto no confessionário.
Uma história da minha jornada em castidade é instrutiva. Logo depois de reingressar na Igreja em 2009, eu pequei tendo um encontro sexual anônimo com um homem. Cheio de remorso, fui me confessar no dia seguinte, e chocantemente, o padre (um estranho para mim) me disse que ter sexo com um homem não era pecaminoso. Em vez disso, ele disse para eu arrumar um namorado, dizendo: "a Igreja vai mudar." Mais tarde, quando eu comentei sobre esse padre com aqueles que o conheciam, disseram-me que era amplamente reconhecido que ele era homossexual. Em seu livro de 1991, Gay Priests, o Dr. James Wolf entrevistou 101 padres. Todos eles disseram que discordavam do ensinamento da Igreja sobre moralidade sexual; apenas 9% deles disseram que diriam a um leigo como eu que se abstenha de fazer sexo com um homem. Esses homens nunca deveriam ter sido ordenados.
Eu reconheço prontamente que os sacerdotes que eu descrevo acima não refletem todos os padres homossexuais. O documento do Vaticano de 2005 abre uma exceção para aqueles que podem ter tido uma homossexualidade “transitória” – homens que conseguiram superar as graves feridas das tentações do mesmo sexo por meio de aconselhamento, trabalho duro, oração e autorreflexão honesta e, assim, são bons candidatos para o sacerdócio. No entanto, acho que esses homens são raros.
Como os escândalos sexuais da Igreja são esmagadoramente homossexuais, a Igreja não pode mais arriscar-se a ordenar homens com inclinações homossexuais na esperança de que essas inclinações se revelem transitórias. A Igreja precisa de homens maduros, confiantes em sua identidade e prontos para serem pais espirituais. Eu amo a Igreja, mas não sou o tipo de homem que a Igreja precisa como padre. (...)
Como seria a Igreja Americana hoje se nossos bispos tivessem levado a sério as diretrizes de 1961, 1993 e 2005? Não podemos responder a essa pergunta, mas podemos olhar para o nosso futuro e ouvir as palavras do Papa Francisco sobre admitir homens homossexuais no seminário: “Se você tem a menor dúvida, é melhor não deixá-los entrar”. Oremos para que os bispos aqui na América e em todo o mundo escutem seus sábios conselhos.
Fonte: First Things apud Courage Brasil (clique aqui). 

sábado, 27 de outubro de 2018

O lugar da modéstia



Antigamente, nossos avôs e bisavôs nos corrigiam quando vestíamos uma roupa que “não era de Missa”, por ser curta, decotada ou colante. Hoje contamos nos dedos de uma mão os pais que percebem que determinados tipos de roupa ofendem à dignidade do Templo, à Casa de Deus. Os padres, que notam esses abusos, ficam com medo de magoar alguém ou perder fiéis, e preferem se calar no lugar de agradar a Jesus Cristo (Gl 1, 10). “De cara” queremos expor, talvez pela primeira vez, que o ensinamento tradicional da Igreja nesse assunto não se restringe à “roupa de Missa” e à “roupa fora da Missa”.

Uma desculpa que a maioria das pessoas recorre “de forma piedosa” consiste em: Deus olha o coração, as roupas são uma questão secundária. Será verdade? Após a desobediência de Adão e Eva, o pecado entrou no mundo. O salário do pecado é o sofrimento, a morte física e, ao final, a condenação eterna. Os homens, depois da Queda, foram contaminados pela concupiscência, ou seja, estão inclinados ao mal, ao erro, ao engano. Desejam de fato fazer o bem no dia a dia, mas acabam praticando o mal que rejeitam (Rm 7, 19). Esse é o triste estado do ser humano decaído. A morte de Cristo na cruz nos purificou do pecado original e dos pecados capitais, como também deu-nos a graça para vencer os pecados pessoais (2Cor 12, 10; Fl 4, 13), embora a concupiscência permaneça. Por esses motivos, é possível alcançar a santidade.

Dito isso, vamos para águas profundas... Será mesmo que Deus está preocupado só com o nosso interior? A resposta é não. Tão logo Adão e Eva desobedeceram, eles notaram que estavam “nus” e se cobriram com folhas de figueira (Gn 3, 7). Apesar dessas vestes improvisadas, permaneceram envergonhados e se esconderam (Gn 3, 9-10). Deus também não achou essas vestes adequadas, preparando em seguida “túnicas de peles e os vestiu” (Gn 3, 21). O Criador sabia que, a partir de então, as roupas se tornariam necessárias para evitar a concupiscência dos olhos, assim como que essas roupas deveriam ser modestas, isto é, cobrir as partes do corpo[1] que despertam o olhar malicioso no próximo (Mt 5, 28).

As pessoas, que usam roupas indecentes, sabem o efeito que causam aos outros. Dessa forma, tanto os homens quanto as mulheres devem se vestir com “trajes honestos” (1Tm 2, 9). Os pais devem ser os primeiros a não escandalizar os próprios filhos com seu mau procedimento (Mt 28, 6). O motivo principal de guardar a modéstia é porque Deus está perto (Fl 4, 5). A veste do corpo também permite conhecer quem é a pessoa (Ecl 19, 27), ou seja, se ela ama ao próximo ao ponto de renunciar a uma roupa que pode levá-lo à ruína espiritual. Isso é amor que brota do coração. Isso é amor que vira boas obras (1Jo 3, 18).

Ninguém tem o direito de ser pedra de tropeço para o outro, ainda mais se for para satisfazer um capricho, um interesse vil e um desejo egoísta “de se sentir bem”, “de estar à vontade”, enquanto essas atitudes dificultam a luta do próximo em manter o brilho da pureza (Sb 4, 1). A alma que guarda a castidade tem valor inestimável aos olhos de Deus (Ecl 26, 19-20), ao passo que a alma que impede outras de seguirem esse caminho, é saqueadora da graça divina. Ela não atravessa a porta estreita, tampouco dá passagem aos demais (Mt 23, 13; Mt 7, 13-14). Os que pertencem de verdade a Nosso Senhor crucificaram a carne e os vícios (Gl 5, 24).

Um Inferno é pouco para quem possui atrás de si uma corrente que arrasta dezenas e centenas de almas aos pecados da carne. Tão facilmente esse mal poderia ser extirpado: bastaria abandonar essas roupas da perdição e colocar vestes dignas de filhos de Deus! Não só debaixo do Templo de pedra a modéstia tem seu lugar, a modéstia tem seu lugar sempre. Depois do Batismo, todo católico se tornou templo do Espírito Santo (1Cor 6, 19), pedras vivas (1Pd 2, 5). Ai de quem destruir esse templo com a falta de modéstia, Deus mesmo o destruirá (1Cor 3, 17)!

Alguns preferem expulsar o Espírito Santo e conviver com os demônios por míseros pedaços de pano. O Batismo desses infelizes é como a porca lavada que volta a se revolver na lama (2Pd 2, 22). Os apelos de conversão se transformam em pérolas esmagadas por cascos (Mt 7, 6). Nossa Senhora avisou à Santa Jacinta, vidente de Fátima: “Vão aparecer modas que ofenderão muito ao meu divino Filho”.



[1] Os parâmetros tradicionais são: nenhum tipo de roupa colante; shorts ou bermudas, no mínimo, até os joelhos; nada de decotes, partes descobertas ou camisetas; as mangas cubram pelo menos os cotovelos. Essas regras valem para ambos os sexos, com o acréscimo de que Deus abomina um homem que se vista como mulher, e vice-versa (Dt 22, 5). Vestidos e saias com quatro dedos de tecido depois dos joelhos, porque sobem quando se senta.