segunda-feira, 7 de maio de 2018

Como vencer o vício da pornografia e da masturbação?



Um membro de nossa Equipe resolveu enviar sua experiência nesse combate aguerrido. Segue seu relato:

Para tratar desse tema, prefiro escrever em primeira pessoa. Por quê? Por ser um testemunho, muito mais do que um conhecimento teórico sobre “estratégias” para combater o vício. Quem desejar um curso com rigor científico, veja o disponível no site do Pe. Paulo Ricardo (clique aqui) e confira a aula ao vivo dedicada ao assunto (clique aqui).

Dentro de casa, a masturbação masculina é ignorada ou ensinada pelo pai como pré-requisito de masculinidade. Embora seja uma ideia falsa, não será esse o enfoque. No primeiro caso, o menino descobrirá por conta própria a excitação do seu órgão genital ou graças à influência de amigos/familiares. O mundo fará seu trabalho sujo, disso não tenho dúvida.

No segundo caso, o rapaz, no início da puberdade (ou até antes), "precisa" se masturbar para aprender “a ser homem” e, para tanto, o pai apresenta ao filho material pornográfico. Na minha época, tratava-se mais de revistas da Playboy e, com o tempo, a coisa evoluiu para filmes pornôs em DVDs piratas.

Nessa etapa em que, via de regra, o terreno para a plantação da erva daninha começa a ser arado, adubado e regado para que o vício se instale na adolescência, avance na idade adulta e algumas pessoas, tragicamente, arrastam até velhice. Não tenho muita informação a respeito da masturbação feminina, mas, ao que tudo indica, tem crescido bastante também.

Antes de mais nada, a masturbação, como todo pecado, é um bem aparente. Ela parece ser um bem, mas não é. Quem se masturba, procura ser feliz, busca a própria satisfação por meio desse prazer momentâneo (dura alguns minutos), no entanto, assim que ocorre a ejaculação, o que sobra é a sensação de vazio, de morte, de tristeza. S. Paulo estava certo de novo: o salário do pecado é a morte (Rm 6, 23). Quando o vício domina, a "voz da consciência" fica  em muitas pessoas quase muda, porém, persiste bem baixinho dizendo "há algo errado... isso me faz mal... por que me sinto assim depois, se na hora foi tão prazeroso, divertido etc.?". Devemos buscar a felicidade verdadeira que está escondida em Cristo (Cl 3, 3) e, portanto, esse artigo é para você que deseja se libertar dessas cadeias e desses pesados grilhões. Afinal, "foi para liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5, 1).

Quero partilhar com vocês, de forma anônima, como se deu meu processo de extirpação do vício tanto da masturbação quanto da pornografia. Eu me esforçarei para ser direto e breve, embora não garanta esse resultado. Quando abordo esse tema, a primeira coisa que me vem à mente é uma passagem de Santo Agostinho no livro das Confissões. Ele, em poucas palavras, dizia que ninguém pode ser casto sem a graça de Cristo e era necessário implorá-la a Deus.

Eu me lembro que fiquei um pouco chocado com essa verdade. Apesar de ter tido meu encontro pessoal com Jesus (conversão para a Igreja católica) e lutar para viver os mandamentos, caía muitas vezes. Conseguia passar dias sem me masturbar, depois viraram semanas, meses e o máximo que empreendera foram seis meses sem queda. Notava um progresso que era misturado com muito retrocesso.

Santo Agostinho, que tinha levado uma vida mais devassa que a minha, dissera essa verdade impactante que me ajudou a ter a seguinte conclusão: eu já tinha recebido muitas graças de Deus, mas a da castidade ainda não pelo fato de EU NÃO QUERER PAGAR O PREÇO (corresponder). Não era culpa ou insuficiência de Nosso Senhor, o problema estava comigo ou em mim, se preferirem. E, ao ler esse trecho da obra, disse a mim mesmo “isso é impossível... só para os santos... acho que vou passar a vida toda lutando contra esse pecado”.

É claro que se você, como tantos teólogos e padres, acredita que a masturbação não é pecado jamais será casto. O primeiro passo é ser convencido pelo Espírito Santo (Jo 16, 8). Ele é quem nos ensina toda a verdade mediante o magistério infalível da Igreja (Jo 16, 13). Após as escamas caírem dos seus olhos, você terá condições de conhecer com o intelecto as verdades infundidas no seu coração ainda em sementinhas e, então, bastará aderir à posição católica sobre a masturbação e a pornografia por meio do Catecismo ou do Youcat. Quero dizer que: sem a graça do Espírito Santo, podemos ler mil livros de teologia e não mudar um milímetro sequer.

Não basta só saber que é pecado (a maioria sabe com clareza ou intui pelo menos), é preciso querer viver a castidade (número reduzido) e, por fim, conseguir viver (número mais diminuto). A história de Gedeão e seu exército de 300 homens ilustra bem. Só o desejo de conhecer a verdade já é uma graça. Muitos preferem as trevas do erro ou da ignorância. A vontade de viver a pureza é graça. E praticá-la também. Por que insisto tanto em falar em graça? Por uma razão óbvia: sem Jesus NADA podemos fazer (Jo 15, 5). E mais do que isso. São Paulo afirma que Deus opera tanto o QUERER quanto o FAZER (Fl 2, 13). Logo, tudo é graça, mas esta depende de nossa “autorização”.

Sem a cooperação do homem, Nosso Senhor, Todo-poderoso, está de mãos atadas. Deus, explicou Santo Agostinho, que nos criou sem nós, não nos salva sem nós. Deus não nos faz castos sem nós. A nossa participação nessa empresa é ínfima, mas necessária. Em termos simbólicos, a nossa cota é de 1% enquanto a do Senhor é de 99%. Por que é tão importante ser casto? A castidade nos liberta de nossas paixões desregradas e passamos a viver no Espírito, pelo Espírito e com o Espírito. Em miúdos, somos mais felizes, realizados e plenos. Nenhum orgasmo egoísta substitui a alegria da pureza.

Vou ser mais claro. O sexo entre um homem e uma mulher é sagrado. Desde Adão e Eva, Deus o associou à fecundidade e os filhos, portanto, são bênçãos do Senhor. Gerar uma nova vida humana é co-participar no poder criador de Deus. Isso é muito mais do que uma teoria. Em Cristo, o matrimônio que já era especial na aliança adâmica, torna-se sacramento. Sinal visível do amor de Cristo para com sua Igreja. Por esse motivo, essa mesma Igreja pede que o sexo só seja vivido em santo matrimônio. Por ser um ato sagrado, esse “culto” somente pode ser realizado entre um homem e uma mulher "sob a proteção do Altíssimo", então eles se unem e formam uma só carne (Mt 19, 5).

O altar da Igreja doméstica (família) é o leito matrimonial. Fora dessa situação, será sempre fonte de desgraça, de perdição e de condenação. Esse culto tem sua liturgia própria: entre quatro paredes não vale tudo. Posições sexuais que inferiorizam um dos cônjuges não são lícitas. Por exemplo, sexo anal. A moralidade ou não do sexo oral exige mais detalhes (clique aqui). O coito interrompido também é imoral, pois quebra a união para evitar a consumação. E assim sucessivamente.

Quem transformou o sexo em tabu não foi a Igreja, foi o diabo. Satanás ganha dos dois lados. Aqueles que sabem e temem explicar de forma católica o assunto com receio de escandalizar ao próximo, deixam de ensinar a verdade que liberta, logo seus irmãos se precipitam no abismo de um jeito ou de outro. Aqueles que perderam o pudor e a modéstia e pulam no abismo por vontade própria, sob crença errônea de estar “arrasando” no salto em queda livre, porém desprovido de equipamentos de segurança. A ruína será assombrosa e triste.

Essa longa introdução me permite avançar para os dez passos para viver a castidade.

1- Sem a graça de Deus é IMPOSSÍVEL ser casto
Esqueça sua pretensão de ser o super-homem. A carne entregue a si mesma é fraca (Mt 26, 41). 

Obs. Nesse ponto, está a "formação da consciência" (livros ou filmes sobre os santos, doutrina, livros de espiritualidade, pregações, homilias etc.). Tudo que contribui para o enriquecimento da vida espiritual. Um irmão do blog fez um resumo adequado sobre como conhecer a fé católica (clique aqui). Eu recomendo o livro "A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo" de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja.

Obs. 2: Alguns rapazes no processo de descontaminação terão poluções noturnas INVOLUNTÁRIAS. É um fenômeno normal do nosso organismo e não ofende a Deus. Talvez até sucedam em razão de sonhos eróticos (que por não haver consentimento, não ofendem a Deus). É sinal de que a perseverança levará a bom termo sua luta!

2- A castidade não é provisória. É para a vida toda. Para sempre
Se você acha que Deus dará essa joia preciosa por tempo determinado, esqueça. Por exemplo, enquanto estou solteiro, lutarei para viver a castidade, afinal, a masturbação me dá tanto remorso, peso na consciência etc. NO ENTANTO, se arrumar uma namorada, TEREI que transar com ela. É o que todo mundo faz e eu, como quero me lambuzar na lama dos porcos, imitarei toda a manada. Game Over. Deus não dará a pérola para ser esmagada por patas sujas de lavagem e estrume.

O solteiro (celibatário ou não), o namorado, o noivo, o casado, o viúvo etc., em cada estado de vida, o chamado à castidade se mantém e a vivência se adapta.

3- A humildade é a base da castidade
“Quem está de pé, cuidado para não cair” (1Cor 10, 12). Deus jamais permitirá que você seja casto para se achar melhor do que os outros. Quando o seu orgulho começar a inflar como um baiacu, Ele tirará a sua mão (a graça) e seu tombo será feio para que dessa humilhação, você se levante e recomece sem soberba. Quem está de pé, pode cair a qualquer momento. Deus não quer que ninguém caia, nem seja tentado pelo diabo acima das suas forças (1Cor 10, 13), mas permite a queda de quem se afasta da humildade. Ele resiste aos soberbos (Tg 4, 6).

4- Corte o mal pela raiz (Mt 18, 8-9)
Quando se trata de pecado sexual, o segredo dado pelos santos é fugir. Fugir das ocasiões. Sempre. Nunca queira enfrentar o diabo nas tentações. Você sairá humilhado. Se veio algum pensamento malicioso, fuja, distraia-se com outra coisa... nunca fique sozinho com a porta trancada no quarto, se isso pode ser ocasião para pecar. Exclua todos os vídeos pornográficos do computador, quebre DVDs, apague conteúdo erótico do celular, destrua material de sex shop, bloqueie pessoas que já travou conversa obscena, utilize bloqueadores de sites etc. 

É preciso ser radical. Ir até a raiz desse mal e cortá-la sem dó, sem pena, sem hesitar. Pe. Paulo Ricardo, de maneira descontraída, ensina-nos acerca desse ponto:




Depois do Santo Batismo, os sacramentos indispensáveis nessa luta são dois: Eucaristia e Confissão.

5- Eucaristia
Ao recebermos o Corpo e Sangue do Senhor, imaculados, somos transformados n’Ele por uma ação misteriosa. O capítulo 6 do Evangelho de São João é dedicado inteiro às vantagens desse sacramento. A Eucaristia é a medicina (o remédio) da castidade.

Via positiva: Após receber a Santa Comunhão, procure um lugar silencioso na Igreja (capela costuma estar vazia nessa hora) e converse a sós com Jesus (agradeça, peça mais fé, louve, ame, adore etc.). Sua oração pacífica e mental deve durar o tempo em que Ele estiver no seu estômago (em média, dez minutos).

Via negativa: Não se pode receber a Hóstia tendo pecado grave que não foi confessado (§1415, Catecismo da Igreja Católica). O sacrilégio é uma ofensa terrível e quem o pratica, torna-se réu do Corpo do Senhor (1Cor 11,29). A comunhão para os recasados/2ª união nunca foi liberada pela Igreja (§270, Youcat). Papa Francisco recorda essa verdade básica ensinada desde São Paulo (clique aqui) e o Arcebispo Ladaria, atual Prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé indicado pelo Papa, apenas a aplica aos recasados (clique aqui).

Pe. José Augusto foi didático nesse famoso vídeo:



6- Confissão
Há quanto tempo você não se confessa? Faz muito tempo? Anos? Décadas talvez? A Confissão perdoa todos os pecados, o que faz nossa alma ficar “0 km” e a fortalece contra novas quedas.

Obs. Toda vez que se cometer um pecado grave é necessário se confessar (§1863, Catecismo da Igreja Católica). Sugestão: 1 vez por mês. Para acessar o melhor exame de consciência que conheço (clique aqui). A confissão é, em regra, individual ao sacerdote (Cân. 960 c/c Jo 20, 23), salvo em risco de morte ou necessidade grave que se aceita a confissão coletiva como último recurso (Cân. 961).

7- Oração
Quem reza, caminha para ser casto. Quem não reza, está parado. É assim que as baterias são recarregadas e o Senhor renova nossas forças, porque Ele nos dá asas de águias. Corremos sem nos cansar, vamos para frente sem nos fatigar (Is 40, 31).

Sugestão: a recitação do Santo Terço diariamente é a arma mais eficaz para praticar a pureza. Foi o que Mãe do Senhor (Lc 1, 43) pediu em todas as suas aparições, sobretudo em Fátima em que comemoramos 100 anos em 2017.

8- Meditação da Bíblia
Você lê a Palavra de Deus todos os dias? Com esse farol, poderemos ver mais e melhor.

Sugestão: 1 salmo ou 1 capítulo do Evangelho por dia. Comece sempre pelo Novo Testamento no caso de querer ler do início ao fim, pois Jesus é a chave de leitura da Bíblia (Lc 24, 27). Se quiser um método de leitura para ajudar (clique aqui).

9- Penitência
Você faz algum jejum ou abstinência? A penitência “doma” seu corpo, isto é, refreia o controle que ele quer ter sobre a alma.

Sugestão: a regra é que toda sexta-feira é um dia obrigatório de abstinência em que não se pode comer carne vermelha segundo os cânones 1249 a 1252. Posso comer no lugar peixe e ovos? Sim.

10- A fidelidade no pouco opera milagres (Lc 16, 10)

Não é necessário fazer grandes obras para ser casto. Dou testemunho de que o “feijão com arroz”, preparado e saboreado com amor, realiza prodígios. Para usar um exemplo do AT, o óleo e a farinha dados ao profeta Elias pela mulher de Sarepta que não acabariam enquanto a chuva não molhasse a terra (1Rs 17, 14). E no NT, os cinco pães e dois peixes que foram multiplicados por Nosso Senhor (Mt 14, 17). 

Desde quando passei a colocar em prática esses pontos, nunca mais caí na masturbação e fiquei completamente livre da pornografia. Sofri tentações violentíssimas do diabo em que meu corpo “gritava” por prazer, mas venci com a ajuda da graça.

Tudo passa, mas quem cumpre a vontade de Deus, sendo casto, permanece para sempre (1Jo 2, 17). Minha vida espiritual mudou por inteiro assim que cooperei de verdade. Hoje sou muito mais feliz do que no tempo do vício em que era “livre” para me masturbar e assistir à pornografia quantas vezes "quisesse".

Sem exagero, foi um divisor de águas: A.C. (antes da castidade) e D.C. (depois da castidade). Se eu soubesse que era tão libertador, teria me esforçado mais. Teria corrido mais. Teria amado mais a Deus e a mim mesmo do que a meus prazeres passageiros. Para quem não "suportava" ficar um dia sem o vício, faz anos que não caio mais para honra e glória do Senhor. 

A luta continua, agora se dá no campo dos pensamentos, todavia é um fardo suave e um jugo leve (Mt 11, 28-30), pois é Cristo quem me sustenta nessa empresa. Lembre-se: 1% é meu e 99% é d’Ele. Quando você será generoso para fazer esse investimento? É altamente rentável, lucrativo e recompensador em qualquer aspecto.

Parafraseando dois Papas, termino:

Não tenha medo de abrir as portas para Cristo! Ele não nos tira nada, pelo contrário, nos dá tudo!

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