sexta-feira, 16 de março de 2018

Tirando o Ano do Laicato do papel



Há alguns anos eu venho meditando sobre qual é o mínimo sobre a fé católica que todo batizado deveria saber, independentemente das suas condições específicas, isto é, seja rico ou pobre, culto ou meramente alfabetizado, atuante ou membro cativo da pastoral do banco. O primeiro passo é, sem dúvida, conhecer. E depois com a ajuda da graça passar a viver. Uns voam como águias, outros como pássaros miúdos e um grupo ainda está no ninho. O que importa nesse processo é estar em movimento. Nas palavras de São Paulo, “prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Fl 3, 13-14).

Antes de explicar como fazer isso, gostaria de deixar uma contribuição prática a todos, sem exceção, que lerem esse pequeno artigo. Embora o catolicismo não seja a religião do livro, vamos à Bíblia. São João, que foi um dos Apóstolos que mais escreveram no Novo Testamento, disse ao final do seu belíssimo Evangelho: "Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21, 25). O discípulo amado trazia a preocupação ecológica antes mesmo de se debater esse assunto. Brincadeiras à parte.

O Documento n. 105 da CNBB traz reflexões importantes e necessárias ao povo brasileiro. Se fosse resumi-lo em uma frase, diria que: os bispos do Brasil desejam que os leigos e leigas testemunhem Cristo com suas vidas no mundo. É aquele versículo extraordinário que traduz o pedido, quase a súplica paternal, de um bispo já citado: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem a com a língua, mas por atos e em verdade” (1Jo 3, 18).

Afinal de contas, como fazer isso em larga escala? O objetivo principal do Documento n. 105 é esse, mas fracassa. Por quê? Por uma razão muito simples, ele aborda tanto as complexidades do mundo moderno que o efeito é justamente o contrário: paralisa as pessoas. No lugar de mobilizar, estagna. Os leigos, no geral, não procuram se aprofundar nas nuances das “bases fundamentais do mundo globalizado” (5.1). Esse é um interesse muito reduzido de pessoas com propensão à vida intelectual. O erro do Documento n. 105 é acreditar que, num passe de mágica (ou “conscientização”, sinônimos hoje em dia), haverá um engajamento e protagonismo maravilhosos da Igreja no Brasil e que mudará a realidade para melhor.

Eu sei que os bispos não são ingênuos de pensarem que da noite para o dia essa transformação acontecerá. Mas esse conteúdo altamente sofisticado está ali porque se espera que uma hora esse “despertar” religioso, cultural, político, econômico, jurídico e, por fim, social sucedam. É como água mole em pedra dura. Mas sinto ser um portador de más notícias: não acredito nessa solução, levando em conta o alcance almejado e o público-alvo. Vou ser mais direto.

O Magistério da Igreja é uma árvore frondosa. Repleto de frutos com sabores diferentes. Só para fazermos uma listinha:


- Catecismo da Igreja Católica: 940 páginas.
- Compêndio do Catecismo da Igreja Católica: 192 páginas.
- “Denzinger” (Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral): 1.468 páginas.
- Compêndio do Vaticano II: 796 páginas.
- Documentos de Paulo VI: 480 páginas.
- Documentos de João Paulo I e outras encíclicas de João Paulo II: 272 páginas.
- Documentos de João Paulo II: 1.144 páginas.
- Teologia do Corpo (série de catequeses entre 1979 a 1984): 604 páginas.
- Código de Direito Canônico: 896 páginas.
- Homiliário do Papa Bento XVI: 2.676 páginas.
- Textos do Papa Francisco: Laudato si’ (184), Evangelii Gaudium (163), Amoris Laetitia (208) etc.
- Youcat: 304 páginas.
- Docat: 320 páginas.
- Compêndio da Doutrina Social da Igreja: 527 páginas.

  Obs. O último documento da CNBB foi de nº 107. Embora, como regra, os documentos da Conferência não integrem o Magistério naquilo que não lhes foi delegado pela Santa Sé, se colocarmos uma média baixa de 100 páginas, serão mais de 10.000 páginas para a Igreja no Brasil. O Documento nº 105, por exemplo, tem 183.

  Obs2. Se formos incluir a Bíblia da Ave-Maria, são mais 1.696 páginas. Sem contar a liturgia diária que soma, em média, 100 páginas por mês. 1.200 páginas.

  Obs3. Não contabilizei: as instruções e notas dos dicastérios papais como a Congregação para a Doutrina da Fé; a liturgia das horas por ser obrigatória somente para os ministros ordenados e religiosos (4 volumes de 600 páginas); as obras de espiritualidade dos santos (a título ilustrativo, a de Santa Teresinha é uma Bíblia de 1400 páginas); os livros religiosos comumente vendidos (devocionários, oracionais, comentários bíblicos e teológicos etc.); Coleção da Patrística: 17.993 páginas (entraria mais como Tradição); Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino: 3.396 páginas etc.

Agora, é possível entender melhor o discípulo amado para além da sua preocupação ecológica: "Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21, 25).

Sabe qual é o paradoxo nessa situação? Não chega 1% desse material às mãos da maioria esmagadora dos católicos. E qual é o resultado? Nosso Senhor continua a falar pela pena do profeta Oséias: “meu povo se perde por falta de conhecimento” (Os 4, 6).

É como disse no início o Documento n. 105 serve a uma “elite” de católicos, a um grupo extremamente reduzido de fiéis com meios de interpretá-lo com acerto. No mais, a ignorância nas questões mais básicas é reinante. A catequese, como um todo, geração após geração tem falhado no Brasil.



O quê fazer diante desse cenário tão triste? Como mudar com os pés no chão?

A primeira etapa é colocar os fiéis em contato com a sã doutrina da salvação. Dentre todos os documentos citados acima, o que melhor cumpre essa função é o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. São apenas 70 páginas (formatadas no Word) que podem mudar sua compreensão sobre a fé católica. Mudar para ampliar ou mudar para acertar.

Nesse pequeno e, ao mesmo tempo, grande tesouro a Igreja, nossa boa Mãe, ensina a nós os seguintes pontos:

i) como ler a Bíblia de forma correta;
ii) explica o Credo rezado em toda Santa Missa;
iii) dá uma aula sobre os sete sacramentos;
iv) fala sobre as vocações;
v) trata dos Dez Mandamentos, um por um, e quais as consequências;
vi) E ensina sobre o Pai Nosso.

Tudo isso em 70 pagininhas? Sim. Inacreditável. E mais: com o selo do Magistério infalível. É água pura.

Linguagem difícil? Não. Muito simples.

Qual é a dinâmica? Perguntas e respostas curtas.

Como consigo ler?
Parte 1 (clique aqui) e 
Parte 2 (clique aqui).


Quem quiser pelo celular:
Existe um aplicativo chamado Catecismo da Igreja Católica e lá tem uma opção "Compêndio".

Uma nota é importante: quem se preocupa com o "cristianismo na prática" (obras de misericórdia corporais), saiba que o DOCAT e a Doutrina Social da Igreja ensinam que é da vida interior (vivência da fé) que brota a força para as boas obras exteriores. Então, uma coisa não exclui outra. Os testemunhos dos grandes santos atestam essa verdade.


Podemos prosseguir para os 5 passos simples de como viver a fé católica. A simplicidade se deve à nossa professora que é ninguém menos que a Virgem Maria. Em suas aparições recentes no mundo, ela instruiu como destruir o diabo com 5 pedrinhas como o rei Davi um dia fizera com o gigante Golias (1Sm 17).

Antes de tudo, convém fazer uma pequena catequese: Maria é a Mulher profetizada no Gênesis, em que Deus mesmo estabeleceu o ódio entre ela e a serpente infernal (Gn 3, 15). Tanto Maria é a Mulher que Nosso Senhor em seu primeiro milagre ocorrido graças à sua intercessão (Jo 2, 1-9), chamou-a expressamente de "Mulher". E, enquanto pendia do madeiro da cruz, recordou-a de sua missão (Jo 19, 26-27). Por fim, a Mulher, na luta contra a serpente, sai vitoriosa e coroada por Deus (Ap 12, 1ss).

1ª Pedrinha – ORAÇÃO – Você reza todos os dias?

Sugestão: a recitação do Santo Terço diariamente é a arma mais eficaz. Foi o que Mãe do Senhor (Lc 1, 43) pediu em todas as suas aparições, sobretudo em Fátima em que comemoramos 100 anos em 2017.

2ª Pedrinha – CONFISSÃO – Há quanto tempo você não se confessa? Faz muito tempo? Anos? Décadas talvez?

Obs. Toda vez que se cometer um pecado grave é necessário se confessar (§1863, Catecismo da Igreja Católica). Sugestão: 1 vez por mês. Para acessar o melhor exame de consciência que conheço (clique aqui). A confissão é, em regra, individual ao sacerdote (Cân. 960 c/c Jo 20, 23), salvo em risco de morte ou necessidade grave que se aceita a confissão coletiva como último recurso (Cân. 961).

3ª Pedrinha - EUCARISTIA – Comunga com frequência?

Obs. Não se pode receber a Hóstia tendo pecado grave que não foi confessado (§1415, Catecismo da Igreja Católica). O sacrilégio é uma ofensa terrível e quem o pratica, torna-se réu do Corpo do Senhor (1Cor 11,29). A comunhão para os recasados/2ª união nunca foi liberada pela Igreja (§270, Youcat). Papa Francisco recorda essa verdade básica ensinada desde São Paulo (clique aqui) e o Arcebispo Ladaria, atual Prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé indicado pelo Papa, apenas a aplica aos recasados (clique aqui).


4ª Pedrinha – BÍBLIA – Você lê a Palavra de Deus todos os dias?

Sugestão: 1 salmo ou 1 capítulo do Evangelho por dia. Comece sempre pelo Novo Testamento no caso de querer ler do início ao fim, pois Jesus é a chave de leitura da Bíblia (Lc 21, 27). Se quiser um método de leitura para ajudar (clique aqui).

5ª Pedrinha – PENITÊNCIA – Você faz algum jejum ou abstinência?


Sugestão: a regra é que toda sexta-feira é um dia obrigatório de abstinência em que não se pode comer carne vermelha segundo os cânones 1249 a 1252. Posso comer no lugar peixe e ovos? Sim.

Se essas pedrinhas estiverem nas mãos dos católicos, não só o Ano do Laicato sairá do papel, como também teremos uma Igreja em saída, como luz do mundo e sal da terra, para renovar o Brasil.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Proposta do Raio para o Ano do Laicato



Gostaríamos de deixar nossa contribuição para o Ano Nacional do Laicato por meio do "Projeto Eu amo a Igreja". A nossa equipe acredita que o que falta aos brasileiros é mais conhecimento da sã doutrina da salvação que somente a Santa Igreja Católica oferece.


Existem, é verdade, muitos materiais e livros para estudo, porém foram contaminados por ideologias políticas ou resquícios da Teologia da Libertação. O mini-curso que o Bernardo Kuster fez recentemente em seu canal é prova inconteste dessa infiltração vermelha no seio da Igreja no Brasil. 


Nesse tempo de grave crise interna, é preciso voltar-se para as águas límpidas que jorram da Cátedra de São Pedro, visto que a infalibilidade assegure o reto caminho em direção a Cristo e a correta interpretação da Bíblia (ela própria alvo de "politização" por segmentos marxistas). Nesse sentido, sugerimos a excelente aula abaixo:


Outro ponto importante é o modo como celebramos os Santos Mistérios. Recomendamos, em acréscimo, um curso gratuito de quatro aulas sobre a Liturgia católica.


A Jesus por Maria,
Raio Catolizador.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Curso de Liturgia - Pe. Paulo Ricardo


Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=iWbdTAscYrc

Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=iH-FGILCkuM


Parte 3: https://www.youtube.com/watch?v=jZT3I4jr9to&t=15s

Parte 4: https://www.youtube.com/watch?v=g7439JlmXiQ&t=5s

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

As vestes à luz da Bíblia Sagrada


Porque muitos padres não usam mais falar contra a imodéstia das modas, muitas pessoas, sobretudo as mais novas, ficam pensando que as exigências da modéstia são invenções dos padres tradicionalistas. Por isso, quero tratar deste assunto baseado na Sagrada Escritura, que é a palavra de Deus.

1 – Deus Criou Adão e Eva no estado de inocência, sem a concupiscência, isto é, sem o desregramento das paixões. Dai, antes do pecado, Adão e Eva estavam nus e não se envergonhavam. Confira a Bíblia Sagrada: Gen. II, 25. E eles conversam familiarmente com Deus. Mas a partir do momento em que pecaram, perderam a inocência, começaram a ter maldade e então, tiveram vergonha em se verem nus, e coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. É o que se lê na Sagrada Escritura em Gen. III, 7. Foi o que eles puderam conseguir naquele momento após o pecado. Mas embora assim cobertos na cintura, se julgaram ainda nus, tiveram vergonha e se esconderam de Deus. Confira a Bíblia Sagrada: Gen. III, 9 e 10. E notai que o próprio Deus não achou também suficiente esta veste sumária. Eis o que diz a Bíblia em Gen. III, 21: “Fez também o Senhor Deus a Adão e à sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu“.

2 – Consideremos bem isto, porque é uma ação do próprio Deus. Quem ousará contestá-la?! Se veste fosse assim algo secundário, Deus teria deixado a critério de Adão e Eva. Considere-se primeiramente, que Deus os vestiu assim com modéstia, embora fossem esposos e os únicos que existiam até então sobre a terra. Neste particular entende-se a palavra de S. Paulo que recomenda a modéstia “porque Deus está perto”. Confira Filipenses IV, 5. A pessoa deve se vestir com modéstia não só na igreja mas em toda parte. É claro que na igreja exigir-se-ão modéstia e decoro ainda maiores. São Paulo diz: “Do mesmo modo orem também as mulheres em trajes honestos, vestindo-se com modéstia e sobriedade“. Confira I Timóteo, II, 9. Considere-se também que Deus vestiu nossos primeiros pais com túnicas. A túnica, por sua própria natureza, é uma veste que satisfaz as exigências da modéstia, porque oculta inteiramente o corpo não só enquanto o cobre, mas também enquanto não deixa transparecer a sua forma.

3 – Era também exigido por Deus a diferenciação entre o modo de se vestir dos homens e das mulheres; tanto assim que Deus considera abominável a mulher que se veste de homem e vice-versa. É o que diz a Bíblia Sagrada em Deuteronômio, XXII, 5. Vê-se, portanto, que as vestes unissex são condenadas por Deus na Sagrada Escritura. E a própria ordem natural exige que as diferenças entre os sexos sejam manifestadas, de maneira digna e honesta, pelo modo diferente de vestir, adequado a cada sexo.
Entre o povo fiel a Deus, procurando obedecer ao Seu preceito, desde os primeiros tempos, procurou-se um feitio de túnica para cada sexo, além das vestes complementares que davam naturalmente uma diferenciação maior. Há, no entanto, testemunhos de que os pagãos não obedeciam a estas normas. Não conheciam o verdadeiro Deus e a sua Lei.
Os sacerdotes da Antiga Lei também usavam túnicas cujo modelo era bem diferente e foi indicado pelo próprio Deus. Confira Êxodo, XXVIII, 31. Nosso Senhor Jesus Cristo também se cobria com túnica. Confira S. João, XIX, 23. Há muitas outras passagens do Antigo e do Novo Testamentos que mostra ser a túnica usada entre o povo. Por exemplo: Gen. XXXVII, 32; S. Mateus, V; Ats. IX, 39, etc.

4 – Alguém dirá que estas vestes tiveram que ser trocadas por outras diante das novas exigências da sociedade. Até concedemos que assim possa ser, mas desde que se respeitem os dois princípios determinados por Deus na Sagrada Escritura através do exemplo dado em relação a Adão e Eva e do preceito do Deuteronômio, XXII, 5 ou seja: 1º- que a roupa cubra realmente o corpo e não envolva nenhuma indecência que venha trazer escândalo para o próximo; 2º- que não haja travestimento, isto é, que a mulher não se vista de homens e vice-versa.

5 – Além da primeira razão da decência para as vestes (= a presença de Deus em toda parte, a concupiscência própria e a vergonha natural depois do pecado original), há também uma outra razão que diz respeito ao próximo. Como depois do pecado original passou a existir no homem a concupiscência da carne, dos olhos pelos quais entram no coração os maus desejos, a lascívia, os adultérios etc. as vestes cobrindo direito o corpo se tornam necessárias também em relação ao próximo ou seja para se evitar o escândalo, isto é, tropeço que leva as pessoas a cair no pecado. E neste particular, indecente e condenável é não só a veste que não cubra bem o corpo mas também quando deixa transparecer a forma do corpo ou em razão de seu próprio feitio ou por ser ajustado. Roupa muito ajustada só pode ter uma razão de ser: a maldade. Jesus Cristo deixou os princípios, os avisos, as regras da mal moral pelos quais os homens de todos os séculos devem guiar o seu modo de proceder. Segundo diz a Sagrada Escritura na Epístola aos Hebreus, XXII, 8 e 9: “Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje, e por todos os séculos“. E, por outro lado, os homens, quando à concupiscência, são também sempre os mesmos. Daí não pode ninguém dizer que os tempos mudaram e por isso as advertências de Jesus não têm mais valor hoje. Consideremos, então, algumas destas advertências de Jesus. Jesus falou contra os escândalos, isto é, as seduções que levam os outros ao pecado: Disse Jesus: “Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é inevitável que sucedam escândalos; mas ai daquele por quem vem o escândalo!“. Confira S. Mateus, XVIII, 7-9. Jesus advertiu igualmente: “Quem olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração“. Confira S. Mateus, V, 28. Agora, quem é que não reconhece que uma pessoa vestida menos decentemente é causa destes maus desejos e adultérios contra os quais fala Jesus acima? Quem não for fraco neste ponto atire a primeira pedra.

6 – Alguém poderá dizer que não vê e não sente maldade alguma em usar tal veste. Pode até ser verdade agora porque já se acostumou no mal e adquiriu o mau hábito. Mas considere: 1º- que toda pessoa é culpada quando não procura eliminar o mau hábito, 2º- que é preciso olhar também o próximo. Donde, se a veste não é inteiramente decente eu tenho obrigação de evitá-la para não escandalizar talvez o próximo e incorrer assim na censura de Jesus: “Ai daquele por quem vem o escândalo“. E veja bem que a Sagrada Escritura manda evitar até uma coisa que de si não seria condenável, mas que fosse motivo de escândalo para o irmão fraco por quem morreu Jesus. Confira I Coríntios, VIII, 13.

7 – E há também o escândalo das crianças que se sentem tentadas a imitar as mais velhas e assim vão perdendo o recato, o pudor e a pureza já desde pequenas. Jesus advertiu: “É melhor uma pessoa amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e se lançar no fundo do mar do que escandalizar uma criança“. Confira S. Mateus, XVIII, 6. Já imaginaram as contas que vão dar a Deus as mães que dão este mau exemplo às suas Filhas!!! Os pais procurem, pois, seguir o conselho que a Bíblia Sagrada lhes dá em relação aos Filhos: “Tens Filhos? Ensina-os bem, e acostuma-os às sujeição desde a sua infância. Tens Filhas? Conserva a pureza de seus corpos“. Confira Eclesiástico VII, 25 e 26. Quantas mães, no entanto, desculpam seus Filhos dizendo que são jovens e devem aproveitar a mocidade. Estas ouçam o que diz a Sagrada Escritura: “Regozija-te, pois, ó jovem na tua mocidade, e viva em alegria o teu coração na flor de teus anos, segue as inclinações de teu coração e o que agrada aos teus olhos, mas sabe que Deus te chamará a dar contas de todas estas coisas“. Confira Eclesiastes, XI, 9 e 10. Meditem, outrossim, nos elogios que a Bíblia faz à castidade e pureza: “Oh! quão formosa é a geração pura com o seu brilho!“. Confira Sab. IV, 1. “Graça sobre graça é a mulher santa e cheia de pudor. Todo preço é nada em comparação de uma alma que pratica a castidade“. Confira Eclesiástico, XXVI, 19 e 20.

8 – CONCLUSÃO: A Sagrada Escritura e a Tradição são as duas bases sólidas sobre as quais se funda a Igreja de Nosso Jesus Cristo. Se alguém não as aceita, então, vai se basear em que? No seu modo de pensar? Nas máximas do mundo? Mas quem age assim não é de Jesus Cristo.
II
Respondendo a algumas objeções:

1ª objeção: Vestes é uma questão secundária. O que importa é o coração.

RESPOSTA: Vimos já no primeiro folheto que Deus não pensou assim. Ele mesmo fez questão de cobrir Adão e Eva com túnicas depois que eles pecaram. Confira Gen. III, 21. Depois, na verdade, nós não dizemos que toda aquela que se veste de acordo com a virtude da modéstia tem forçosamente o coração bom e perfeito, e estará isenta de outras faltas. Em outras palavras, nós não queremos dizer que a modéstia seja tudo o que a pessoa deve ser, mas é uma das coisas necessárias para se agradar a Deus e até é uma das coisas pelas quais se pode conhecer a pessoa segundo declara a própria Bíblia no livro do Eclesiástico XIX, 27: “A Veste do corpo, o riso dos dentes e o andar do homem, dão a conhecer o que ele é“. Vimos no primeiro folheto que a modéstia é exigida por Deus na Sagrada Escritura e é com a convicção de coração no sentido de agradar mais a Deus e com empenho de fazer sempre o que está mais de acordo com a Sua vontade, que a pessoa deve se vestir com modéstia. O que importa é o coração reto que procura fazer o que Deus manda.

2ª objeção: Este negócio de vestes é relativo. Hoje, vestes que antes eram proibidas são permitidas e não impressionam mais.

RESPOSTA: Diz a Bíblia Sagrada: “Os olhos não se fartam de ver“. Confira Eclesiastes, I, 8. É a concupiscência dos olhos de que faz menção o livro do profeta Ezequiel, XXIII, 14-16. Esta concupiscência dos olhos leva a pessoa a procurar ver sempre o pior. Assim, a veste desde que começa a ser menos decente, vai provocando desejos mais perversos. E a sensualidade embora encontrando o que deseja, nunca se satisfaz. Daí, de um lado, se compreende porque o mundo tende sempre a uma maior imodéstia nas modas. E, por outro lado, entende-se porque a Igreja sempre lutou por uma maior modéstia nos trajes. E antigamente exigia-se até mais do que o mínimo para impedir que as vestes fossem piorando sempre mais. E a medida que o progressismo foi dando liberdade, a coisa foi só piorando e vai piorar mais se todos os padres da Igreja não voltarem a combater a imodéstia como a Igreja sempre fez. Dizem que tudo é natural. Mas pelos frutos se conhece a árvore. O que nós estamos vendo é uma sociedade cada vez mais entregue aos pecados da carne. É o desprezo completo pelos mandamentos de Deus, que, no entanto, continuam e continuarão de pé. É o que diz o Salmo 110, 8: “Todos os seus mandamentos (Senhor) são imutáveis, confirmados em todos os séculos, fundamos na verdade e na equidade“.

3ª objeção: Mas é muito difícil seguir estas normas da modéstia. Impondo-as, vai ficar um número muito pequeno na Igreja.

RESPOSTA: Quanto a ser difícil nós não negamos. Jesus mesmo já dissera: “O reino dos céus padece violência e só os violentos é que o arrebatam“. Confira S. Mateus XI, 12. Quanto a ser um número pequeno o daqueles que seguem as normas da modéstia, nós devemos primeiramente observar que: se os padres progressistas, baseados na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, ensinassem isso (= a modéstia), os fiéis se convenceriam melhor e o número seria maior embora continuasse a ser minoria em relação aos maus. Nosso Senhor Jesus Cristo já disse: “Entrai pela porta estreita porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida“. Confira S. João, XIV, 6. Compreende-se que o caminho do céu é estreito quando se pensa naquela palavra de S. Paulo na epístola aos Gálatas, V, 24: “Aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a sua carne com os seus vícios e concupiscências“.
A História Sagrada confirma o que acabamos de dizer sobre o pequeno número: Quando Deus destruiu a humanidade pelo dilúvio só oito pessoas se encontraram fiéis a Deus e se salvaram. O resto se entregou aos pecados da carne. Confira a Bíblia Sagrada: Gênesis, Capítulos VI e VII. Quando Deus destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra só quatro pessoas se salvaram porque só elas não tinham se contaminado pela impureza. Leia na Sagrada Escritura o capítulo XIX do livro de Gênesis.

4ª objeção: Mas Deus é pai e não vai exigir tanto sacrifício e nem vai castigar alguém por seguir a moda.

RESPOSTA: Já vimos pela Sagrada Escritura, que Deus condena a moda que não seja conforme a decência. Vimos também na Bíblia Sagrada como Deus castigou várias vezes os homens por causa dos pecados da carne. E S. Pedro diz que estes castigos foram para servir de exemplo aqueles que venham viver também impiamente segundo a imunda concupiscência. Confira 2ª Epístola de S. Pedro, II, 4-10. Vimos igualmente como aqueles que desejarem ser de Jesus Cristo têm que renunciar a si mesmos, aos seus vícios e concupiscências. Conf. Gal. V, 24.
Porque Deus é Pai bondoso e paciente eu não vou ofendê-lo, mas pelo contrário, deve procurar a Sua vontade e segui-la. “Quem me ama, disse Jesus, guarda os meus mandamentos”. “Quem é meu amigo procura fazer o que eu mando“. Confira S. João XIV, 15 e XV, 14.
Os que querem seguir esta mentalidade progressista (= de que Deus é pai e não castiga ninguém e por isso posso fazer o que quero), ouçam o que diz a Bíblia Sagrada em Eclesiástico, V, 2 a 9: “Não te abandones na tua fortaleza, aos maus desejos de teu coração; e não digas: Como sou poderoso! Quem poderá obrigar-me a dar-lhe conta das minhas ações? Porque Deus certamente se vingará deles. Não digas: Eu pequei e que mal me veio daí? Porque o Altíssimo, ainda que paciente, é justiceiro. Não estejas sem temor da ofensa que te foi perdoada, e não amontoes pecados sobre pecados. E não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele se compadecerá da multidão dos meus pecados. Porque a sua misericórdia e a sua ira estão perto uma da outra, e ele olha para os pecadores na sua ira; Não terdes em te converter ao Senhor, e não o difiras de dia para dia porque virá de improviso a sua ira“. Confira também Rom. II, 4: “Ou desprezaste as riquezas da sua bondade e paciência e longanimidade? Ignoras que a bondade de Deus te convida à penitência?".

5ª objeção: Mas, se a gente não seguir a moda, as pessoas do mundo zombam e chamam a gente de atrasada, cafona, etc.

RESPOSTA: Não podemos ser do mundo porque a Sagrada Escritura diz a todas as classes de pessoas: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo“. Confira I, S. João, II, 15. Quanto ao fato de o mundo zombar daqueles que seguem a Jesus, isto sempre existiu. Jesus mesmo disse: Porque não sois do mundo, o mundo vos aborrece. “Aqueles que, querem viver piamente em Jesus Cristo, sofrerão perseguição“. Confira II Tim. III, 12. Já os Apóstolos pela pregação da fé, e os cristãos por permanecerem firmes nesta fé, foram objeto de zombarias e de toda espécie de sofrimentos. Confira Atos, XVII, 32 a 34. Hebreus, XI, 36 a 40, I Pedro IV, 4. Medite, no entanto, o que diz Jesus Cristo em S. Marcos VII, 38: “No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos".

6ª objeção: Mas a Igreja tem que seguir o progresso; se adaptar aos novos tempos; não pode ficar parada no tempo e no espaço.

RESPOSTA: Esta objeção faz parte da doutrina modernista hoje praticada pelos progressistas mas já condenada anteriormente por São Pio X.

A Igreja deve levar os homens ao progresso no bem. Isto sim. Porque Jesus fez a Igreja para ser o sal da terra e a luz do mundo. Para a religião ser verdadeira e ter firmeza, a quem se deve seguir? A Jesus ou aos homens? É claro que se deve seguir a Jesus. Eis o que diz S. Paulo: “Porventura é aos homens que eu pretendo agradar? Se agradasse ainda aos homens não seria servo de Cristo“. Confira Gal. I, 10. Diz ainda a Sagrada Escritura: “Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje e o será por todos os séculos. Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas“. Confira Hebreus XIII, 8 e 9.

Nossa Senhora revelou a Santa Jacinta, vidente de Fátima: “Vão aparecer modas que ofenderão muito o meu divino Filho“.


Pe. ELCIO MURUCCI – Vigário de Ururaí – Dores.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

19 tipos de católico


Tivemos acesso a esse texto que diz muitas verdades sobre o nosso comportamento e o melhor é que faz isso de forma engraçada.

Confira e se prepare para rir:

1. CATÓLICO PETER PAN: Aquele que não cresce nunca.

2 CATÓLICO FISCAL: Só sabe criticar e fiscalizar as ações da Igreja, mas não faz nada.

3. CATÓLICO FANTÁSTICO: Só o vemos aos domingos na missa, e olhe lá.

4. CATÓLICO FLORZINHA: Qualquer probleminha com o padre ou com alguém, fica magoadinho(a) e sai da igreja.

5. CATÓLICO 007: Ninguém sabe que ele é católico.

6. CATÓLICO GABRIELA: Eu nasci assim, eu cresci assim e vou morrer assim.

7. CATÓLICO RAIMUNDO: Um pé na igreja e outro no mundo.

8. CATÓLICO CARRINHO DE MÃO: Precisa ser empurrado para trabalhar, principalmente na Igreja.

9. CATÓLICO PIPOCA: Vive pulando daqui pra ali: de pastoral em pastoral, comunidade em comunidade e não se firma como membro de nenhuma.

10. CATÓLICO TIETE OU CARTEIRINHA DE FÃ CLUBE: Acompanha o padre artista aonde ele for. Só vai a missa de padre famoso.

11. CATÓLICO NASCER DO SOL: Só podemos contar com ele pra um outro novo dia: "Hoje num dá... amanhã..."

12. CATÓLICO KIKO DO CHAVES: não se mistura com a "gentalha".

13. CATÓLICO NOÉ: Nunca as coisas são com ele: "Noé comigo irmão".

14. CATÓLICO DO CONTRA: Sempre arranja uma desculpa contrária para não colaborar.

15. CATÓLICO ESCOTEIRO: só aparece em época de acampamento.

16. CATÓLICO PROTESTANTE:Tá na Igreja Católica, mas é contra as imagens, não honra Maria, a mãe de Deus, não vai à uma procissão, não reza o terço, não faz novenas, não adora o Santíssimo, prefere a reunião do grupo à ir a Missa.

17. CATÓLICO BIPOLAR: se diz católico, mas curte Espiritismo, Alan Kardec e acredita em reencarnação...

18. CATÓLICO SUPERSTICIOSO: Consulta horóscopo, cartomante, usa amuletos...

19. CATÓLICO: Está na Igreja Católica, é a favor das imagens, honra Maria, a mãe de Deus, vai nas procissões, reza o terço, faz novenas, adora o Santíssimo, vai sempre à missa, se confessa, aprende com seus erros/pecados, não fica se achando só porque trabalha na igreja, não tem signo, não frequenta seitas, procura evangelizar sempre e é humilde.


Fonte: católicos na Bíblia.

sábado, 11 de novembro de 2017

Uma grande mística brasileira


Aos 55 anos de idade, pouco tempo antes de falecer


O nome de Madre Francisca de Jesus, fundadora da Companhia da Virgem, falecida a 28 de maio de 1932, é geralmente desconhecido entre nós. Confessamos que não fosse o livro do Revmo. Pe. Garrigou-Lagrange, O.P., ainda tudo ignoraríamos sobre aquela vida maravilhosa, marcada inteiramente com o selo da Divina Providência.


Livro do Pe. Garrigou-Lagrange, O.P., foi republicado em 2013 pela Editora Ecclesiae.
O Catolicismo é essencialmente místico. Não se confunda, porém, o misticismo da Igreja com certos fenômenos extraordinários, tais como visões, êxtases, revelações, que, às vezes, acompanham a vida religiosa. A misticidade consiste nas relações íntimas do fiel com Deus, provenientes da generosidade com que nos oferecemos integralmente, e da misericórdia com que Ele se digna operar em nós purificando-nos e santificando-nos. Esta purificação, produzida diretamente por Deus, caracterizada pelo sofrimento, é a realização em nós da Paixão de Cristo.

Ora, na vida de Madre Francisca de Jesus percebe-se claramente esta morte em Cristo. Em 1927, a grande fundadora passou pelas provas mais terríveis que se possam imaginar. Numa grande escuridão espiritual, ela se cria abandonada por Deus, como justo castigo de seus pecados, e prestes a cair no inferno. Nesta contingência, a conselho de seu diretor espiritual, escreveu a um dominicano de grande virtude e experiência, expondo-lhe sua situação e pedindo conselho. Na resposta, lê-se o seguinte: “É necessário experimentar esse vazio absoluto, para vir a se estar cheio da plenitude de Deus. E somente Deus pode consolar quem sofre esta prova!... É preciso configurar-se a Jesus Cristo no seu desfalecimento de Getsêmani e do Calvário, para encontrar uma nova vida gloriosa com Ele. Não é o ‘prelúdio de uma morte eterna’, como temeis, mas é a verdadeira morte mística para tudo e para si mesmo e o prelúdio da vida eterna...”

Como se vê, o misticismo católico, ao contrário do que muita gente pensa, é o antídoto específico da sentimentalidade religiosa, a moeda falsa da religião. Verifica-se aqui aquele pensamento de Jackson de Figueiredo, segundo o qual a fé não seria um lugar de repouso e de tranqüilidade, mas uma luta, muitas vezes atribulada.

É verdade que nem todos são chamados para os sofrimentos extraordinários, que caracterizaram a vida dos grandes Santos; mas é certo que todos têm de morrer a si mesmos, ao seu egoísmo, às suas paixões, ao seu “eu”, a tudo enfim que represente uma auto-afirmação do homem em face de Deus. Esta vocação é universal; aqueles que não a cumprem integralmente nesta vida, irão terminá-la no Purgatório. Porque o homem velho, filho do pecado e escravo do pecado, deve ser inteiramente destruído, aniquilado na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Lembram-se de S. Paulo?: “Porventura ignorais que todos fomos batizados em Jesus Cristo, batizados fomos na Sua morte? Porque fomos sepultados com Ele para morrer pelo batismo...” (ad Rom. 6, 3-4)

Portanto, a vida católica não é passível de estandardização, que seria uma espécie de religiosidade média, relativamente boa, acessível ao grande público. O Catolicismo, por sua própria natureza, é acessível a todos, mas não comporta “programas mínimos”. Há muitos que, na faina do apostolado, na preocupação de conquistar o maior número, vão passando adiante assim que notam uma certa conformação espiritual típica em seus prosélitos. Seria quase uma fabricação “em série” de católicos... Ora, enquanto não se tiver acendido o desejo de uma verdadeira santidade, tudo ainda estará por ser feito. O corretivo para semelhante inclinação encontra-se no estudo da vida e das obras dos grandes místicos da Igreja, que realizaram o que há de mais profundo e autêntico na religião.

Uma vocação

Palácio do Rio Negro (Petrópolis), onde nasceu e passou sua primeira infância Madre Francisca de Jesus.

Madre Francisca de Jesus chamou-se, no século, Francisca Carvalho do Rio Negro e era a nona filha dos barões do Rio Negro. Nasceu em Petrópolis a 27 de março de 1877, e passou sua primeira infância no Brasil. Ainda extremamente jovem, passou-se com sua família para a Europa, onde foram residir em Paris. Poucas vezes mais haveria de ver sua terra natal; porém, a obra que iria fundar em regiões distantes, pelos desígnios secretos da Providência, transportar-se-ia para o Brasil, vindo a realizar aqui, neste país tão necessitado de padres, o seu alto objetivo: a oração pelo Papa e pelas vocações sacerdotais.

Tudo isso, entretanto, não se passou sem grandes, sem enormes dificuldades. A futura fundadora estava longe de imaginar aquilo que o Céu esperava dela, mesmo porque o Céu não se deu pressa em lhe revelar seus desígnios, deixando-a perplexa por muito tempo.

Ainda em plena adolescência, por um impulso cuja espontaneidade só pode ser atribuída a uma inspiração sobrenatural, Francisca, diante de uma pequena imagem de Nossa Senhora de Lourdes, que sempre a acompanhava, ligou-se a Deus por um voto de virgindade perpétua. Saberia ela as lutas que a defesa deste voto lhe iria custar? Passado algum tempo, já na plena resplandecência de uma juventude magnífica, aparece-lhe a primeira proposta de casamento. O pretendente era do agrado dos Rio Negro. Francisca renova o seu voto, recusa-se com todas as forças, e acaba por vencer esta primeira prova. Vitória? Não... ela ainda estava muito distante de um triunfo completo. Durante 14 anos teve que se debater, resistindo à sua família, que por força queria casá-la. Mais do que isso, incompreendida por seu confessor, que declarava seu voto nulo. E considere-se que se tratava de um sacerdote virtuoso, de tanto merecimento, que acabou por ser elevado à dignidade episcopal.

Aos 23 anos

Acontece com as almas de eleição o que aconteceu com Jacó: têm de lutar com Anjos. Enquanto as pessoas imperfeitas têm de combater vícios, más inclinações, tentações da tríplice concupiscência, as almas de eleição têm de esmagar o que para outros poderia parecer dever de estado e até o santo dever de obediência ao diretor espiritual. É verdade que a regra é esta obediência, e a grande Santa Teresa mereceu diante de Deus, por haver obedecido ao seu diretor mesmo quando a aconselhava erradamente; mas no caso de Madre Francisca, a obediência iria ter resultados irreparáveis que comprometeriam irremediavelmente a sua vocação.

É o que, infelizmente, não é suficientemente compreendido: há certas ocasiões em que Deus desafia os seus escolhidos, para experimentá-los. Então, já não se trata de escolher entre o bem e o mal, mas entre deveres que se excluem, entre o bom e o ótimo. Se Francisca Carvalho do Rio Negro, em sua particular situação de predestinada, houvesse sido obediente aos desejos de sua família, a Igreja teria hoje uma ordem religiosa de menos.

O desafio de Deus 

Após anos, Francisca conseguiu convencer a todos desta verdade: Deus não a queria para o casamento. Quanto trabalho! Os pretendentes não lhe faltavam. Ela era de uma beleza pura, tranqüila e firme. Em sua fisionomia tudo era calmo e preciso: a testa alta, o nariz longo, retilíneo e afilado, a boca rasgada num talho convicto e harmonioso, tudo enquadrado no oval elegante de seu rosto, e iluminado por dois olhos profundos, expressivos e resolutos. A sua beleza era grande e digna. Nela não havia nada deste “engraçadinho” estandardizado e caricatural de “girl” cinematográfica, tão do agrado da pusilanimidade do gosto moderno pervertido e diminuído, que só se compraz no que é miúdo e bonitinho. Mas é preciso reconhecer que a beleza plena e íntegra tem um cunho tão alto de intelectualidade, que constrange qualquer sensualidade...

Em sua fisionomia tudo era calmo e preciso 

Francisca vencera a primeira batalha. Agora, no meio dia dos trinta anos, sua natureza afirmava-se na madureza da idade, ao mesmo passo que a sua vida espiritual era um campo fértil e trabalhado. E ei-la livre, inteiramente desobrigada por sua família e por seu diretor, pronta para atender ao primeiro apelo dAquele a quem ela se consagrara de corpo e alma!

Então... então este apelo se fez esperar por mais três anos. Francisca se viu na condição de uma pessoa que após ter sacrificado tudo por um ideal, parece perde-lo quando pensa alcançá-lo. Seu diretor obrigou-a a fazer várias experiências, mas todas resultaram infrutíferas, sem que se descobrisse o gênero de vida que Deus queria dela. “Eu queria fazer a vontade divina, custasse o que custasse, era impossível descobri-la!” - havia de escrever mais tarde, nas notas sobre este período de sua vida.

Encontra-se por ai, com relativa freqüência, a idéia de que é muito fácil descobrir-se a Vontade de Deus; bastaria que soubessemos ver, em todos os acontecimentos, esta mesma Vontade, e assim, conformando-nos com Ela, fossemos vivendo placidamente os dias de nossa vida, sem nenhum receio de estarmos frustrando nossa vocação especial. Sim, isto é verdade, mas é, apenas, a primeira parte da verdade. Está certo no que se refere à negação do espírito de revolta. Mas também é certo que muitas vezes Deus permite situações desfavoráveis não para que nos submetamos passivamente, mas para que combatamos, com humildade sempre, com ardor, todavia.

A fundação 

Em pleno mar (era Outubro; ela voltava, com sua mãe, de uma viagem ao Brasil, que, nunca mais tornaria a ver. Ela não era mais do que um ponto perdido na imensidade do Oceano, mas um ponto que era toda a predileção da Providência), em pleno mar, Francisca foi convidada por Deus para uma oração mais profunda; e, no meio do maior recolhimento, a bruma começou a desfazer-se, e ela começou, pouco a pouco, a ver claro em sua Vocação. Luzes extraordinárias começaram a instruí-la sobre o Sacerdócio, a Hierarquia Eclesiástica, o valor do Santo Sacrifício da Missa. E ela compreendeu que deveria ir a Roma, falar com o Santo Padre sobre a fundação de uma ordem religiosa que fosse destinada à oração e à imolação pelas intenções do Papa, pela Hierarquia e pelas vocações sacerdotais. Durante o resto da viagem este ideal se foi precisando, completando, esclarecendo, por obra dAquele mesmo que o havia inspirado.

Como de costume, não faltaram as contradições. Sua mãe e seu diretor, quando lhes expos seus desígnios, mostraram-lhe toda a dificuldade de semelhante pretensão. Mas, desta vez, não quiseram opor-se a nada. Pelo contrário, seu diretor escreveu uma carta de apresentação ao Cardeal Vives y Tuto, que lhe poderia conseguir a almejada audiência com o Santo Padre.

Enfim, em 13 de dezembro de 1910, foi recebida por S. Santidade Pio X. O grande pontífice, que ilustrou a Igreja pela santidade de sua vida, não tardou em perceber a origem sobrenatural dos ideais de Francisca. Concedeu-lhe várias entrevistas, e acabou por induzi-la a fazer um ensaio de fundação, à qual deu, desde logo, ao Cardeal Pompilli como protetor. Datam deste tempo suas primeiras companheiras, duas jovens que também se deixaram seduzir pelo elevado objetivo da imolação pelos interesses da Igreja. Para este pequeno grupo, o Santo Padre, em 26 de maio de 1912, concedeu o favor da Consagração das Virgens, o que se realizou pouco mais tarde, em 6 de fevereiro do mesmo ano. E este gérmen minúsculo da Companhia da Virgem fechou-se num apartamento do Corso d’Itália. Naquele momento as forças da civilização moderna ajustavam os lances gigantescos que deveriam determinar o futuro do mundo, um futuro naturalista e pagão; os preliminares da Grande Guerra já estavam concluídos. E, no meio desta imensa trama, Nosso Senhor estabelecia a conspiração mística de três pobres e frágeis mulheres, escondidas e humildes. O tempo, entretanto, há de mostrar quem era mais forte.

Com o desenvolvimento da fundação, tiveram de mudar-se para lugares mais espaçosos. Primeiro, a Villa Patrizi, perto da Porta Pia. Depois, a cômoda residência, cercada de jardins, da Via Tuscolana n° 367, esta já de propriedade da Congregação, onde a sua fundadora teve o cuidado de mandar construir uma pequena igreja, dedicada à Imaculada Conceição. Enfim, em 12 de junho de 1921, S. Em. o Cardeal Pompilli consagrou esse templo, e a casa recebeu o nome de ‘Priorado da Virgem’. Nesta ocasião, a baronesa do Rio Negro, achando que deveria dar plena liberdade à sua filha, voltou-se definitivamente para o Brasil. Se ainda algum laço prendia Francisca a este mundo, certamente era sua mãe. Este último desapegar-se foi-lhe dolorosíssimo. Daí por diante ela estava sozinha em terra estranha, mas também daí por diante a sua vida era Cristo.

A propriedade de sua Congregação, em Roma, na Via Tuscolana n° 367

O maravilhoso 

Então, Madre Francisca de Jesus atingiu aquela plenitude de vida cristã que é uma oposição ao terra a terra quotidiano, à mediocridade cíclica da rotina, que é uma libertação da vulgaridade do mundo exatamente porque as próprias coisas vulgares, que estão necessariamente ligadas ao viver terreno, adquirem um sentido novo e invulgar. É uma vida em segunda potência, em que as misérias, as tristezas e as alegrias são elevadas a um plano superior e transfiguradas, porque tudo é projetado para um ideal único, ao qual tudo se refere, tudo se sacrifica e tudo se compromete.

Já anteriormente Francisca tivera os primeiros reflexos desta vida maravilhosa. Aos 18 anos fora atingida, pela primeira vez, por aqueles sofrimentos de alma que são puramente espirituais, em que o fiel se descontenta profundamente consigo mesmo, na sua fome e sede de justiça, sofrimentos muitas vezes mais pungentes que as dores deste mundo, que não pode compreender tal razão de sofrer. Nesta abjeção de si mesma viveu 11 anos, quando, subitamente, foi iluminada por uma onda de consolações interiores em que ela começou a ser instruída sobre o objeto de sua vocação. Assim, muitas vezes recebeu graças extraordinárias, como as que já foram relatadas.

Agora, porém, depois da fundação, isto tudo atingiu a plena maturidade. Toda a sua vida tornou-se extraordinária, ainda mesmo quando resolvia as questiúnculas engendradas pelos equívocos, pelos mal-entendidos, pelas contradições, com que todas as fundações têm de se defrontar. Ao mesmo passo, voltaram-lhe, com redobrada violência, as penas interiores. E, como se tudo não bastasse, sua saúde comprometeu-se irremediavelmente, pois veio a contrair a terrível moléstia de Basedow, que é um envenenamento progressivo do organismo até a morte, envenenamento que vai ampliando a repercussão dos sofrimentos, de forma a transformar uma simples contrariedade num sofrimento quase intolerável. Por causa desta doença teve de sofrer uma séria operação em 1922. Logo no ano seguinte os médicos desesperaram de salvá-la; ela deveria ser operada novamente, desta vez de um abscesso no interior do crânio. Curou-se, entretanto, depois de uma novena a Pio X. Ainda outra vez foi curada milagrosamente de um flegmão, por intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, que lhe apareceu.

Esta avalanche de contrariedades não impediu a fundadora de organizar cuidadosamente a vida interna de seu convento de contemplativas. Mas ela estava arrasada. Certa vez, em 28 de outubro de 1922, pensou sucumbir aos sofrimentos internos e externos que a submergiam. Num último alento, ainda encontrou forças para fazer este supremo oferecimento: “Entretanto, eu quero sofrer conVosco, meu Senhor Jesus”. Neste momento, ela viu ao seu Senhor Jesus, a Cruz às costas, seguido por uma turba ululante que lhe disse: “Quem sofreu tanto como Eu? Siga-me, preciso de ti. Recusarás vir?”

Não, não havia de ser a Madre Francisca de Jesus quem recusaria segui-Lo. Imediatamente Lhe pede perdão, e suplica-Lhe queira infundir um verdadeiro amor. Como lembrança desta graça extraordinária, a Santa Face de Jesus imprimiu-se na parede da cela, como outrora no lenço da Verônica.

Até hoje lá se pode ver, protegida por um vidro.


Ainda mais tarde, numa outra contingência em que a Fundação atravessava períodos difíceis, Madre Francisca, novamente assoberbada por abatimentos mortais, ouviu ao falecido Papa Pio X, que numa voz interior lhe disse: “À tua obra, que também é minha, nenhum mal será feito”.

Em fins de 1928, diversas postulantes, em que ela depositava as maiores esperanças, abandonaram o Priorado. Madre Francisca não era pessoa para se mover ao afeto por razões superficiais; mas o afeto, nela, era um sentimento profundo e forte, de como só as almas fortes são capazes, sem puerilidades ou sentimentalismos, mas grande, generoso e, mais do que tudo, racional. Aquele "forfait" de suas filhas mais queridas atingiu-lhe o fundo da alma, portanto, e despedaçou-lhe o coração. Uma voz interior se fez ouvir para a consolar: “Serás sacudida, tu e a tua barca, mas nem tu, nem a tua barca naufragarão”.

“Tu me tens amado” 

Assim, a última fase de sua vida foi recoberta daquela poeira dourada, que se encontra nos “Fioretti” e na “Legende Dorée”. Os seus menores gestos tinham uma repercussão sobrenatural. Entretanto, acima de tudo isso, pairava habitualmente uma obscuridade compacta, de tal forma que Madre Francisca julgava haver perdido a fé. Ela se sentia tão cética como um livre pensador, e, contudo, ela cria porque queria crer, num esforço sobre-humano da vontade, que afrontava a escuridão da inteligência. E o seu sangue a envenenar-se, a envenenar-se cada vez mais, de modo a colocá-la próxima dos limites da demência...

Datam desta época os mais belos e inspirados escritos de Madre Francisca, pois que as suas trevas eram iluminadas momentaneamente por luzes vivíssimas, que a mergulhavam num mar de felicidade. Estes escritos são um alimento espiritual de primeira ordem, e aproximam, singularmente, sua autora dos grandes contemplativos que a Igreja produziu.

Assim discorreu pelos últimos anos de sua vida, até que entregou, santamente, a alma ao Criador, em 28 de maio de 1932. Dois anos antes ela escrevera a suas filhas: “É preciso amar Nosso Senhor generosamente, até a destruição de si mesmo, o que é absolutamente necessário, se se quer amá-Lo verdadeiramente”. Pois bem, Madre Francisca fora destruída de tal forma que nela já não havia senão o que o próprio Jesus Cristo edificara; em verdade, ela nascera novamente, havendo morrido tudo quanto nela era do pecado.

Depois de sua morte, grandes prodígios em curas e conversões se realizaram, mediante sua intercessão. Mas maior prodígio foi certamente o fato da Companhia da Virgem vir a perder a casa da Via Tuscolana, 367. Ao que parece, nem tudo fora convenientemente previsto no negócio da compra, e as pobres freiras foram vítimas de uma evicção, sendo desalojadas do Priorado, que lhes era tão caro. Como seria possível que uma Ordem, evidentemente abençoada pela Providência, sofresse semelhante revés? É verdade que, com isso, a Companhia mudou-se para o Brasil [1], para Petrópolis, vindo rezar pelas vocações neste país de clero escasso, berço de sua fundadora. Mas tudo não poderia ter-se passado de outra forma, sem aquele rude golpe, que mais parece um castigo?

Certa vez Madre Francisca de Jesus recebeu uma dessas notícias negras, que revelam adversidades maciças e totais, e ela exclamou, cheia de desalento: “Mas Senhor, que foi que eu Vos fiz, então?” Ao que Jesus Cristo imediatamente lhe respondeu: “Tu me tens amado”.


Madre Francisca de Jesus em seu leito de morte

[1] A imagem da Sagrada Face, desenhada por Madre Francisca, foi transferida para o Brasil, onde se encontra no Priorado da Virgem, em Petrópolis, para onde se transportaram as Religiosas da Congregação fundada pela insigne santa brasileira.

Para ver a publicação original, clique aqui.

Compre a reedição do livro sobre a vida dessa grande mística de nossa pátria, clicando aqui.
Para saber mais sobre o Mosteiro da Virgem em Petrópolis, acesse o link aqui.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

As migalhas para Deus


Esse texto será muito curto para fazer uma conexão com o título. A dura verdade da nossa geração é esta: damos as migalhas para Deus. Geralmente, QUANDO dedicamos um tempo para Deus, é um tempo extremamente reduzido (uma oraçãozinha pela manhã e olhe lá ou quem sabe à noite, já com o corpo tomado pelo cansaço de um dia de trabalho). E quando se trata da Igreja, o homem de hoje divide ainda mais as migalhas. Acredita que basta ir à Santa Missa e já cumpriu sua obrigação como quem risca uma atividade que deveria realizar na agenda e diz: pronto, já me livrei desse encargo.

O pior é que muitas vezes o homem – homem e mulher – vai à Igreja e “entra puro e sai vazio”, mesmo que tenha recebido a Eucaristia, isto é, o Corpo Santíssimo de Nosso Senhor, o alimento de vida eterna e, como Ele mesmo disse, “quem come deste pão e bebe deste sangue jamais terá fome e sede” (Jo 6, 35)! Isso acontece por muitos motivos, seja pela formação precária na catequese que não abre a cabeça ao entendimento, seja porque o padre não se faz entender na homilia, seja pela falta de generosidade com as coisas de Deus etc.

Existe uma piada entre nós que diz que o sacramento que mais salva é o oitavo. Na verdade, só temos sete sacramentos. O oitavo seria a ignorância, o desconhecimento. Acontece que a tragédia de nossa geração é que, graças aos meios de comunicação, principalmente, com a Internet, o acesso ao conteúdo espiritual ficou muito facilitado. Por exemplo, canais como Canção Nova, TV Aparecida, Rede Vida, Século XXI, que transmitem o Evangelho. Ou quem sabe nas redes sociais como a página do Padre Paulo Ricardo no Facebook com mais de 1,3 milhões de seguidores. Tudo muito fácil de encontrar: basta um clique no mouse ou um toque na tela do celular.

O que nos falta hoje é a vontade de nos esforçarmos em entrar pela porta estreita, “porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mt 7, 13). Quantas pessoas “de Igreja” você conhece e que vivem igual ou pior como aqueles que estão no mundo? O Papa Francisco insiste em combater a “mundanidade” que está na Igreja, que são aqueles que estão com o corpo aparentemente dentro do templo, mas o coração está fora (Mt 6, 21), eles têm a mente (a mentalidade) conformada com o mundo (Rm 12, 2).

Que câncer terrível nós padecemos. Que câncer terrível que nenhuma “campanha de conscientização” pode dar jeito. Que câncer terrível é o de dar a Deus sempre as migalhas, sempre as sobras, sempre os restos da nossa vida. Um sábio disse certa vez que tudo o que nos restava era DECIDIR o que faríamos com o tempo que nos deram.

A pergunta que me faço é: até quando daremos as migalhas para Deus?